Revista

Modismos importados das praias norteamericanas

5
Tamanho da fonte: A- A+ Por: Marina Rocha 07/04/2013

Novas modalidades dos esportes que são praticados no ar, no mar e em terra conquistam adeptos. O slackline lembra a corda bamba e faz o maior sucesso

 

Eles vieram pra ficar. O stand up paddle, o slackline e o skate paddle, todos vindos das praias norte-americanas, chegaram e agradaram. Alguém remando em pé numa prancha, pulando em uma fita esticada entre dois pontos ou remando no skate já é comum no cotidiano carioca. E a pergunta de quem se depara com os novos esportes deixou de ser “O que é isso?” e virou “Como posso praticar?”. 

O slackline, que veio da Califórnia e lembra a corda bamba, faz o maior sucesso entre os niteroienses. O empresário Allan Pinheiro, 28 anos, o atleta Carlos Neto, de 23, e o alpinista industrial Igor Frizon, 26, são adeptos há quase três anos. O trio se conheceu por conta da paixão pelo slackline e formou uma amizade sólida: estão sempre juntos e dois até moram juntos.

Todos começaram com o slackline mais básico, com a fita baixa e curta, que deve ser percorrida em toda sua extensão sem o praticante tombar. Depois, mais experientes, queriam mais, partindo para outras modalidades do esporte: o highline, praticado com a fita esticada nas alturas, acima de cinco metros, o longline, fita com grande comprimento e o trickline, que envolve manobras na fita baixa.

Carlos já está bem encaminhado: acabou de voltar de uma turnê com a cantora Madonna, na qual ele fazia apresentação de trickline. 

“Era bem legal, a Madonna também se apresentava. Foi uma experiência muito bacana, conheci vários lugares e o principal, fazendo o que eu adoro”, revela. Ele já participou de diversos campeonatos nacionais e internacionais e é patrocinado pela marca Gibbon Slacklines.

Allan, que é fera no highline, fala da sensação de estar na fita. 

“Quando estamos lá em cima o psicológico é fundamental. A determinação é o que mais conta para se chegar ao outro lado, e quando tudo termina é maravilhoso: mais um desafio foi vencido”, descreve.

Igor Frizon também afirma que o esporte é viciante. 

“O primeiro contato com o highline gera uma explosão de adrenalina. O desafio é superar o medo e atravessar a fita”.

Em Niterói, o slackline é praticado em Itacoatiara, Icaraí e Camboinhas. Já o highline, que precisa de locais mais altos, pode ser feito no Bananal, no caminho da subida do Costão, em Itacoatiara, no Morro Santo Inácio, ao lado do Parque da Cidade e para começar alguns lugares mais baixos, como a Boa Viagem.

No stand up paddle, o SUP, originário do Havaí, a pessoa fica em pé num “pranchão” e se move no mar com auxílio de um remo. É uma atividade completa, explica o professor de SUP Luiz Picanço Rocha, conhecido como Luiz Kid. 

“O stand up paddle faz muito bem à saúde por trabalhar o corpo inteiro. A prática regular traz os mesmos benefícios obtidos na academia”, garante.

Luiz surfa há 15 anos e diz que se apaixonou pelo stand up paddle. 

“Pratico há três anos. Quando comecei, gostei muito e percebi uma diferença grande entre o SUP e o surfe: o SUP atinge um número muito maior de pessoas, já que não precisa de onda e pode ser feito de forma mais leve ou mais pesada, dependendo do preparo físico e do objetivo da pessoa”, declara Luiz.

O instrutor de SUP destaca a importância da aula para quem quiser ingressar na atividade. “Com um professor a pessoa aprende mais rápido a praticar o esporte de maneira correta e, principalmente, conhece a postura certa. O SUP é fácil, normalmente após três ou quatro aulas o aluno já está apto a remar sozinho, lembrando sempre, é claro, de respeitar o mar”, adverte.

O contato direto com a natureza é algo que encanta. Enquanto o praticante está se exercitando, pode desfrutar momentos de descontração em cenários de tirar o fôlego. O casal Rogers Rodrigues, 28 anos, e Mariana Mesquita, de 24, ambos personal trainers, pratica o SUP há quase dois anos. Ele se aventurou primeiro. 

“Sempre surfei, adoro o esporte, e por isso me interessei quando conheci a nova modalidade. Me viciei”, confessa.

Depois do namorado, foi a vez de Mariana experimentar. “Comecei por causa dele e achei incrível. No stand up paddle sentimos sensação de liberdade enquanto realizamos um exercício que trabalha o corpo inteiro e exige muito equilíbrio”, diz.

Rogers e Mariana afirmam que o SUP melhora a qualidade de vida, já que faz bem para o corpo e para a mente. Além disso, é bem democrático. 

“Quem tinha vontade de surfar e encontrava dificuldade, pode se realizar com o stand up paddle. Vale a pena tentar, é desestressante”, atesta Mariana.

Skate a remo

Outro esporte que aproveitou a onda do remo foi o skate paddle, a mais nova moda do Rio que consiste na prática do bom e velho skate acompanhado de um remo. O professor Gabriel Mustrangi, 30, explica. 

“Eu adoro. Como tudo que é novo, há uma resistência, mas eu encaro como uma alternativa. Há público pra tudo. O remo dá mais equilíbrio e pode ser usado como freio, o que facilita a prática do skate”, conta.

Gabriel, que dá aulas do esporte, anda de skate há sete anos e começou a praticar o paddle no asfalto há quase um. Ele detalha a atividade. 

“No skate paddle não há necessidade de descer do skate para dar impulso e, por conta do remo, além da parte inferior, trabalhamos a parte superior do corpo. Ele pode ser praticado em qualquer tipo de skate, mas o mais indicado é o longboard (o que tem um comprimento maior)”, diz.

Segundo o professor, a novidade tem atraído muitos alunos. 

“É um esporte fácil e atrai por ser praticado ao ar livre. Além disso, está relacionado à persistência, pois o aluno deve sempre se reerguer após as quedas”, explica.

 


O Fluminense


AVALIE:

 

Enviar para amigo Imprimir