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Qui, Maio

Levantamento foi feito a partir da análise dos dados de pesquisa do IBGE - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A interiorização da epidemia da Covid-19 já é uma preocupação real entre os gestores municipais, estaduais e federais. De acordo com a última análise do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/ Fiocruz), o crescimento de casos da doença no interior do país está chegando de forma acelerada aos municípios de médio porte. O levantamento foi feito a partir da análise dos dados de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inicialmente a epidemia da Covid-19 no Brasil, começou a se disseminar nas grandes metrópoles do país. No entanto, nas últimas semanas de acordo com a analise de pesquisadores da Fiocruz, 44% das cidades brasileiras com 20 mil e 50 mil habitantes passaram a notificar casos de pessoas infectadas pelo coronavírus. O levantamento apontou ainda que a tendência é que os pequenos municípios também sejam atingidos nos próximos dias em decorrência dos ciclos de transmissão. Acesse o link para verificar lista de municípios.

Sistema MonitoraCovid-19

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), criou uma plataforma para monitorar a evolução dos casos e óbitos em decorrência, o chamado Sistema MonitoraCovid-19. O objetivo do painel é apresentar uma estimativa da situação da doença nos estados brasileiros e configurar o cenário nacional.

Recentemente a instituição por intermédio da avaliação do Sistema MonitoraCovid-19, divulgou nota técnica registrando a preocupação com a tendência de crescimento de casos da doença em cidades de médio e pequeno porte. A nota construída pelos pesquisadores da Fiocruz destaca ainda, que metade das regiões para onde a doença está se disseminando apresenta poucos recursos para atender as necessidades de saúde pública na atual situação da pandemia.

O médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Croda destaca que a interiorização do coronavírus para essas regiões mais carentes é preocupante. “É um grande problema a interiorização porque a maioria dos estados concentram os seus leitos de terapias intensivas nas grandes cidades. A maioria desses interiores não tem leitos de UTI. Principalmente no Norte e no Nordeste onde a doença está mais avançada e onde já faltam leitos de terapia intensiva nas capitais. Tanto que algumas já decretaram o lockdown”, ressaltou.

Alguns municípios brasileiros já começam a enfrentar o problema da falta de leitos, como é o caso do município de Itamaraju, localizado no sul do estado da Bahia. “A região de Itamaraju está com 70 casos e não tem nenhum leito de terapia intensiva disponível. Se a gente tem 70 casos, estima-se que 20% precisa de um leito de UTI, ou seja, 14 pessoas poderão se internar em ambiente hospitalar e desses 5% precisam de um leito de terapia intensiva”, disse o médico infectologista Júlio Croda.

Outra preocupação relevante relacionada ao fenômeno da interiorização é o funcionamento do próprio sistema de vigilância nesses municípios, como ressalta Júlio Croda. “Além disso, o serviço de vigilância epidemiológica para investigação de possíveis contatos e testagem é precário. O acesso a coleta de exames, a testagem e o monitoramento do isolamento geralmente são feitos por uma única pessoa, que exerce diversas outras atividades nesses pequenos municípios. Então, é com bastante preocupação que a gente observa esse fenômeno de interiorização”, disse.

Já o supervisor do Núcleo de Desenvolvimento Social da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Denilson Magalhães, alerta que a interiorização dos casos da Covid-19 também está ocorrendo no momento em que a equipe médica está transferindo um paciente de um município pequeno para o atendimento de média e alta complexidade nos grandes centros.

“No momento de transferência de um paciente de um município menor para um município de referência, onde ele vai precisar de uma internação hospitalar ou até mesmo de uma UTI, a equipe que transfere esse paciente até o município maior, quando retorna ao seu município de origem, essa equipe já está infectada. Isso está provocando uma disseminação do coronavírus em território nacional”, destacou Magalhães.

O supervisor do CNM, Denilson Magalhães, ressalta ainda sobre o movimento da população em busca das cidades que ainda não registram casos da Covid-19, como busca de proteção. “As pessoas que residem nesses grandes centros urbanos, estão em busca das pequenas cidades. As vezes pela sua origem familiar. Esse movimento de pessoas entre os grandes centros urbanos e municípios menores tem provocado uma disseminação em território nacional”, disse.

De acordo com Denilson Magalhães para evitar a disseminação do coronavírus nessas cidades de médio e pequeno porte, a Confederação Nacional de Municípios tem orientado os gestores com o intuito de monitorar o movimento da população. “Nós temos pedido e orientado aos nossos gestores, inclusive dos municípios menores que acompanhem todas as medidas que o governo do estado está adotando. Se ele está fazendo restrição, isolamento social, isolamento domiciliar. Que o município acompanhe, por mais que não tenha nenhum caso. Monitore e oriente a sua população sobre o problema”, afirmou Magalhães.

Pesquisa IBGE

A análise dos pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/ Fiocruz), levou em consideração o estudo do IBGE que se baseia no conceito de Regiões de Influência das Cidades (Regic). A ideia coloca os municípios em uma nova distribuição regional, de acordo com o relacionamento e o deslocamento entre cidades, provocado pela necessidade do atendimento à saúde.

Para mais informações acesse: www.portal.fiocruz.br

Segunda fase da pesquisa vai contar com um investimento de R$5 milhões - Foto: Divulgação/MCTIC

Novos testes com o medicamento antiparasitário nitazoxanida estão sendo realizados para o tratamento da Covid-19. O Governo Federal informou que nesta fase será feito o teste clínico em pessoas contaminadas pela doença em fase inicial, ou seja, onde o paciente apresenta sintomas leves ou assintomáticos. Os novos testes vão incluir 500 pacientes infectados pelo novo coronavírus. A medida é mais uma ação do governo por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

A segunda fase da pesquisa vai contar com um investimento de R$5 milhões. O objetivo é avaliar se o medicamento é eficaz no tratamento de pacientes com sintomas leves da Covid-19.

De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, o objetivo desse novo protocolo é averiguar se a droga poderá evitar que a doença evolua para um quadro mais grave. O ministro explica ainda, que a testagem não interfere no tratamento atual que vem sendo ofertado para as pessoas contaminadas.

“Esse remédio não tem efeitos colaterais, é importante lembrar. As pessoas que vão participar do teste, terão o mesmo tratamento que teriam sem participar do exame, ou seja, podem utilizar antitérmicos, antibióticos, anticoagulantes etc. Tratamento normal”, ressaltou o ministro.

A primeira fase de testagem do medicamento antiparasitário nitazoxanida começou a ser testado inicialmente em um grupo de 500 pacientes com sintomas graves da doença, como febre, pneumonia, tosse seca e com características da tomografia com vidro fosco ou hospitalizados. De acordo com o ministro Marcos Pontes, o processo ainda não foi concluído e os resultados iniciais deverão ser avaliados por uma comissão técnica externa.

O secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcelo Morales, explica como está o andamento da testagem e a diferença dos dois protocolos com a utilização do medicamento nitazoxanida para o tratamento da Covid-19. Atualmente existem dois processos, o primeiro com pacientes com sintomas graves e o segundo que deve iniciar com paciente com sintomas leves da doença.

“Em relação ao primeiro teste, o protocolo que está em andamento é o paciente com pneumonia, casos graves da Covid. Ele tem tosse, febre e também aquela tomografia em vidro fosco. É esse paciente que está apto a entrar nesse protocolo que está em andamento. O novo protocolo é para o paciente que está com sintomas precoce ou sem sintomas e que testou positivo. Mas como a doença é imprevisível, cuja a replicação viral precisa ser inibida para que ele não entre naquela tempestade inflamatória, a ideia é que essa droga se mostrando eficiente na inibição da replicação viral, evite o paciente a chegar nessa tempestade inflamatória que leva ao agravamento da doença”, destacou Morales.

Os testes clínicos com o antiparasitário estão sendo realizados em 17 hospitais de 7 capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Manaus e Curitiba.

O ministro do MCTIC, Marcos Pontes, ressaltou ainda que só vamos poder confirmar a eficácia do medicamento para o tratamento da doença, após o término da testagem no organismo dos pacientes. Até o momento a pasta só realizou o teste in vitro.

“No momento em que nós tivermos o resultado, porque in vitro é uma coisa e quando você testa em um organismo inteiro é outra. Precisamos ter certeza de que o medicamento funcione. É importante termos esses resultados, porque esse é um protocolo científico feito no Brasil e em outros países. Com essa sinalização teremos um remédio que poderá ser utilizado para tratar a Covid-19 no estágio inicial. O que certamente evita que as pessoas progridam no agravamento da doença e superlotações de hospitais e a necessidade de UTIs, etc”, afirmou o ministro.

De acordo com o ministério, a nitazoxanida é um antiparasitário que pode agir em viroses e, no passado, já foi utilizado com sucesso contra o rotavírus, como ressalta o diretor técnico da saúde do Hospital das Forças Armadas, o Brigadeiro e Doutor Geraldo José Rodrigues. “É um medicamento que tem efeitos reconhecidamente antivirais. No passado, já foi utilizado nesse país, em uma epidemia de rotavírus e com sucesso. Atualmente os estudos sobre o medicamento, as pesquisas multicêntricas não se limitam ao Sars-CoV-2. Ele foi pesquisado para o Sars-CoV-1 também, o primeiro coronavírus. E existem pesquisas mundiais sobre o uso desse medicamento na hepatite C. Então, seria oportuno que tivéssemos uma adesão expressiva para que terminássemos logo essa pesquisa”, destacou o Rodrigues.

Investimentos

Os ensaios clínicos com a nitazoxanida fazem parte dos projetos da RedeVírus MCTIC. O programa responsável pela articulação dos laboratórios de pesquisa e especialistas na continuidade dos estudos do novo coronavírus. Os recursos para os testes são parte do montante de R$ 352,8 milhões em crédito extraordinário disponibilizados para a pasta por meio da Medida Provisória 962/2020, publicada no início deste mês.

Para mais informações acesse: www.mctic.gov.br

Vírus atingiu o auge primeiramente na China em fevereiro - Foto: Divulgação/EBC

Os casos de coronavírus no mundo superaram a marca de 5 milhões nesta quarta-feira (20), com a América Latina ultrapassando os Estados Unidos e a Europa na última semana, ao registrar a maior parcela de novos casos diários globalmente.

Isso representa nova fase na disseminação do vírus, que atingiu o auge primeiramente na China em fevereiro, antes de surtos em grande escala na Europa e nos Estados Unidos.

A América Latina representou cerca de um terço dos 91 mil casos relatados no início desta semana. A Europa e os Estados Unidos foram responsáveis por pouco mais de 20% cada.

Grande parte dos novos casos ocorreu no Brasil, que recentemente superou a Alemanha, França e o Reino Unido, tornando-se o terceiro país com maior número de casos no mundo, atrás dos Estados Unidos e da Rússia.

Os casos no Brasil estão aumentando a um ritmo diário que o coloca em segundo lugar em termos de velocidade da pandemia, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Os primeiros 41 casos de coronavírus no mundo foram confirmados em Wuhan, na China, em 10 de janeiro, que demorou até 1º de abril para atingir o primeiro milhão de casos. Desde então, cerca de 1 milhão de novos casos são relatados a cada duas semanas, de acordo com contagem da Reuters.

Com mais de 5 milhões de casos, o vírus infectou mais pessoas em menos de seis meses do que o total anual de casos graves de gripe, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em torno de 3 milhões a 5 milhões em todo o mundo.

A pandemia já matou mais de 326 mil pessoas, embora o número real possa ser maior, já que os testes ainda são limitados e muitos países não incluem mortes fora dos hospitais nas contas oficiais. Mais da metade do total de mortes foram registradas na Europa.

Apesar do aumento contínuo de casos, muitos países estão abrindo escolas e locais de trabalho após semanas de isolamento para conter a disseminação. Os mercados financeiros também foram levemente impulsionados por resultados iniciais promissores do primeiro teste de vacina em seres humanos nos EUA.

Já são mais de 3 mil mortes contabilizadas - Foto: Divulgação

Após mais uma atualização da Secretaria de Estado de Saúde, foi registrado que o Rio de Janeiro contabilizou mais 158 mortes em decorrência do coronavírus nesta quarta-feira (20). Com isso, chega a 3.237 o número de vítimas totais, enquanto outras 1.045 mortes estão em investigação.  Até este último boletim, o número de casos da covid-19 no Rio de Janeiro chegou a 30.372, 2.567 pacientes a mais do que o número registrado na terça-feira (19), que era de 27.805. Até o momento, entre os casos confirmados, 25.397 pacientes se recuperaram da doença.

Epicentro da pandemia no estado, a capital fluminense registrou 114 mortes nesta atualização. A Secretaria de Estado de Saúde, no entanto, não divulgou o perfil das vítimas. A cidade do Rio chegou a um total de 2.249 casos fatais e 17.066 confirmados.

A cidade de Niterói, quinta com mais óbitos,  não registrou novos casos fatais da covid-19 no boletim atualizado em relação ao que foi divulgado na terça, mantendo-se com 65 óbitos. Apesar disso, Na live diária da Prefeitura de Niterói realizada ontem, o prefeito Rodrigo Neves já havia informado sobre 78 mortes no município.

A SES esclarece que os casos e óbitos registrados no boletim não ocorreram nas últimas 24h. Nas últimas semanas, a capacidade de testagem do Laboratório Central Noel Nutels (Lacen) e laboratórios parceiros dobrou, passando de 900 para até 1.800 amostras analisadas por dia. Casos e óbitos também podem ser confirmados por critérios clínico-laboratoriais, ou por exames em laboratórios privados habilitados.

Os casos confirmados estão distribuídos da seguinte maneira:

Rio de Janeiro – 17.066
Niterói – 1.968
Nova Iguaçu – 1.179
Duque de Caxias – 1.161
São Gonçalo – 857
São João de Meriti – 606
Volta Redonda – 545
Itaboraí – 528
Belford Roxo – 498
Mesquita – 410
Angra dos Reis – 404
Queimados – 384
Campos dos Goytacazes – 372
Magé – 350
Petrópolis – 273
Nilópolis – 244
Teresópolis – 232
Cabo Frio – 222
Maricá – 200
Macaé – 188
Itaguaí – 149
Rio das Ostras – 147
Barra Mansa – 123
Resende – 120
Nova Friburgo – 117
Paracambi – 115
São Fidélis – 94
São Pedro da Aldeia – 90
Saquarema – 84
Três Rios – 83
Araruama – 82
Japeri – 80
Barra do Piraí – 70
Paraty – 70
Cachoeiras de Macacu – 68
Seropédica – 68
Paraíba do Sul – 59
Guapimirim – 57
Casimiro de Abreu – 52
Iguaba Grande – 52
Rio Bonito – 52
Valença – 51
Piraí – 49
Tanguá – 45
Bom Jesus de Itabapoana – 44
Mangaratiba – 41
Itaperuna – 37
São João da Barra – 37
Armação de Búzios – 33
Arraial do Cabo – 33
Sapucaia – 32
São Francisco de Itabapoana – 31
Pinheiral – 30
Itaocara – 28
Santo Antônio de Pádua – 28
Silva Jardim – 24
São José do Vale do Rio Preto – 22
Quissamã – 20
Vassouras – 17
Cambuci – 15
Mendes – 15
Miracema – 14
Rio Claro – 14
Carmo – 12
Italva – 12
Miguel Pereira – 12
Porciúncula – 12
Bom Jardim – 11
São José de Ubá – 11
Areal – 10
Paty do Alferes – 10
Aperibé – 9
Conceição de Macabu – 9
Carapebus – 8
Cordeiro – 7
Itatiaia – 7
Natividade – 7
Cardoso Moreira – 6
Engenheiro Paulo de Frontin – 6
Porto Real – 5
Rio das Flores – 5
Cantagalo – 4
Macuco – 4
Quatis – 4
Santa Maria Madalena – 4
Laje do Muriaé – 3
Sumidouro – 3
Comendador Levy Gasparian – 2
São Sebastião do Alto – 2
Varre-Sai – 1
Município em investigação – 7

As 3.237 vítimas de Covid-19 no estado foram registradas nos seguintes municípios:

Rio de Janeiro – 2.249
Duque de Caxias – 155
Nova Iguaçu – 106
São Gonçalo – 74
Niterói – 65
Belford Roxo – 57
São João de Meriti – 55
Itaboraí – 43
Mesquita – 43
Magé – 36
Nilópolis – 27
Petrópolis – 27
Itaguaí – 24
Volta Redonda – 19
Angra dos Reis – 18
Maricá – 17
Macaé – 16
Teresópolis – 16
Campos dos Goytacazes – 14
Nova Friburgo – 13
Barra do Piraí – 11
Rio das Ostras – 11
Tanguá – 11
Queimados – 10
Barra Mansa – 8
Resende – 8
Cabo Frio – 7
Guapimirim – 7
Iguaba Grande – 7
Paracambi – 7
Cachoeiras de Macacu – 6
Saquarema – 6
Paraíba do Sul – 4
Rio Bonito – 4
São Pedro da Aldeia – 4
Sapucaia – 4
Seropédica – 4
Araruama – 3
Casimiro de Abreu – 3
Itaocara – 3
Japeri – 3
Paraty – 3
Silva Jardim – 3
Valença – 3
Arraial do Cabo – 2
Bom Jardim – 2
Bom Jesus de Itabapoana – 2
Mangaratiba – 2
Piraí – 2
São Francisco de Itabapoana – 2
São João da Barra – 2
Vassouras – 2
Carapebus – 1
Engenheiro Paulo de Frontin – 1
Italva – 1
Mendes – 1
Miguel Pereira – 1
Santo Antônio de Pádua – 1
Três Rios – 1

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