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Qui, Maio

Outros sintomas também podem ser um indicativo da doença e devem ser motivo de alerta - Foto: Marcos de Paula/Governo do Rio

Com a evolução da pandemia do novo coronavírus (covid-19), autoridades de saúde chamam atenção para os sintomas da doença, especialmente os mais comuns. Mas outras manifestações também podem ser um indicativo da doença e devem ser motivo de alerta.

Em sua página especial com informações sobre o novo coronavírus, o Ministério da Saúde lista os sintomas da doença gerada pelo vírus: tosse, febre, coriza, dor de garganta e dificuldades respiratórias.

Mas pesquisas revelaram outros sinais. Entre eles a perda de olfato e de paladar. Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), Farid Buitrago, essas manifestações ocorrem em entre 20% e 30% dos casos que apresentam sintomas.

“Este sintomas não são muito comuns, mas quando acontece a pessoa deve ficar atenta porque pode ser uma das manifestações do coronavírus. Associado a isso, se tiver febre, tosse e dor de garganta já fecha o diagnóstico”, alerta o médico.

Ele conta que a atenção a esses sintomas é um indicativo importante para o novo coronavírus porque são raras as condições que provocam essas alterações. “Eventualmente alguma doença pode causar isso, como tumores. Gripes comuns podem causar estes sintomas, mas é menos comum”, comenta o presidente do CRM-DF.

Caso a pessoa verifique estes sintomas, a orientação é a mesma para os demais: procurar uma unidade de saúde na atenção básica, os chamados postos de saúde. Nestes locais os profissionais encaminham a testagem e, em situações mais graves, para um atendimento em unidades de pronto atendimento ou hospitais.

Outros sintomas

O médico Farid Buitrago destaca que há outros sintomas, ainda menos comuns. Entre eles conjuntivite, náuseas e alterações gastro-intestinais, como dor de estômago e diarreia. Para conjuntivite, estudos mostraram a ocorrência em cerca de 10% dos casos.

“Tem outro que também se fala muito pouco que são alterações da pele. A Sociedade Espanhola de Dermatologia elaborou atlas para mostrar lesões na pele para pacientes de coronavírus. Desde manchas vermelhas até que parecem como queimaduras de fogo ou de gelo. Essas marcas estão presentes nos pés e mãos, em pessoas jovens”, relata o presidente do CRM-DF.

Antonio Barra torres segue trabalhando em isolamento - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, está com a covid-19. “Como meus sintomas me permitem trabalhar, sigo na execução do meu trabalho”, disse o diretor, em vídeo enviado nesta terça-feira (19) para à comissão externa da Câmara dos Deputados que analisa ações de enfrentamento à doença.

O colegiado debateu com dirigentes da Anvisa o cenário regulatório de kits de diagnóstico (testes) e ventiladores pulmonares.

Segundo Barra, após apresentar os sintomas, ele foi submetido ao teste RT-PCR, que é considerado o mais confiável, o qual comprovou que ele foi infectado pelo novo coronavírus. Barra entrou em isolamento social, mas segue coordenando os trabalhos da agência a distância.

Prefeitura do Rio está com inscrições abertas para médicos em hospitais de referência no atendimento do covid-19 - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Prefeitura do Rio, por meio da RioSaúde, chamou nesta terça-feira (19),  1.065 profissionais de saúde para a linha de frente do tratamento da covid-19. As vagas são para os hospitais de Campanha no Riocentro, Federal de Bonsucesso e Universitário Clementino Fraga Filho (Fundão/UFRJ), e também para o complexo regulador, que trata dos trâmites de transferência dos pacientes. Os convocados haviam se inscrito no processo seletivo Emergencial - Coronavírus da empresa pública.

Os profissionais que tiverem as contratações efetivadas se apresentam nos hospitais em que serão lotados já nos próximos dias. Para isso, os convocados devem comparecer nas datas e locais indicados em seu chamamento, para apresentar a documentação que comprove a formação, especialização e experiência que informaram no formulário de inscrição online. Em seguida, entregam a carteira de trabalho para assinatura e preenchimento do contrato. Candidatos que tenham perdido a data de apresentação anterior ainda podem comparecer no local indicado com a documentação.

Os chamamentos de hoje são para médicos clínicos e intensivistas, técnicos de enfermagem e técnico de radiologia. As contratações são por tempo determinado, enquanto durar a crise sanitária causada pela pandemia do coronavírus. Os profissionais têm a carteira assinada pelo regime CLT e recebem, além dos salários, todos os benefícios previstos em lei e outros comuns aos funcionários da RioSaúde.

O processo seletivo da RioSaúde continua com inscrições abertas para médicos, nos editais 046 e 074/2020, pelo link http://prefeitura.rio/rio-saude/processo-seletivo/ .

Hospital possui características específicas que o difere das unidades de campanha que estão sendo erguidas pelo país e que terão funcionamento temporário - Foto: Paulo Lara/Fiocruz

Em continuidade às ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) construiu em menos de dois meses uma unidade hospitalar destinada a pacientes graves contaminados pela doença. Localizado em Manguinhos, sede da Fundação no Rio de Janeiro, o Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) começará a receber, nesta terça-feira (19/5), os primeiros pacientes transferidos pela central estadual de regulação de vagas. Os leitos serão ocupados gradualmente, a partir da avaliação diária e conjunta da direção com as secretarias municipal e estadual de saúde. A medida garante as condições de segurança necessárias tanto para pacientes quanto para os profissionais de saúde.

 Construído em regime emergencial para unir esforços no fortalecimento da rede de saúde, o hospital possui características específicas que o difere das unidades de campanha que estão sendo erguidas pelo país e que terão funcionamento temporário. Todos os leitos, por exemplo, contam com um sistema de isolamento com pressão negativa do ar, específico para infecções por aerossóis. No interior dos quartos, que são individuais, uma tubulação é responsável por sugar o ar contaminado que passa por um sistema de filtragem antes de ser eliminado por chaminés instaladas na parte externa da construção. Há, ainda, uma central de tratamento de esgoto própria, concebida para tratar resíduos com o novo coronavírus e garantir destino seguro do efluente gerado.

Operando em condição de assistência de alta complexidade e sistema de apoio diagnóstico próprio, a área de diagnóstico inclui aparelhos de raio X, ultrassonografia, ecocardiografia e tomografia computadorizada. Também estão disponíveis os serviços de broncoscopia e endoscopia. A unidade é autossuficiente - tem fornecimento de energia, geradores e reservatórios de água e toda a infraestrutura exigida para um hospital desse porte independente das demais áreas da Fiocruz no campus. O complexo, que ocupa uma área total de 9,8 mil metros quadrados, também conta com entrada exclusiva para ambulâncias e heliponto. Em seu pleno funcionamento, serão 195 leitos destinados ao tratamento intensivo e semi-intensivo.

"Neste momento, em que acompanhamos com tanta preocupação o aumento de casos e de mortes em nosso país, e em particular no Rio de Janeiro, é com grande emoção que entregamos esse hospital dedicado exclusivamente à Covid-19 e que permanecerá como um legado para o Sistema Único de Saúde. A Fiocruz continuará trabalhando incessantemente para fortalecer as ações do SUS em meio a esta crise humanitária que tem tido impacto tão grande na vida da população e que traz tantos desafios para um país continental e desigual como o Brasil", ressaltou a presidente da Fundação Nísia Trindade durante visita de reconhecimento ao local.

Por se tratar de uma unidade hospitalar fechada, ou seja, sem atendimento de emergência, os pacientes chegam ao hospital transferidos de outras unidades de saúde. O sistema informatizado da Secretaria de Estado de Saúde permite um mapeamento dos leitos existentes de forma a operacionalizar a oferta disponível às necessidades de acesso da população. Inicialmente, o paciente deve ser atendido em uma emergência ou unidade de pronto atendimento. Após constatada a necessidade de assistência especializada e de maior complexidade, o pedido é encaminhado para o sistema de regulação, que é responsável pela verificação da disponibilidade dos leitos e pela transferência dos pacientes.

Seguindo protocolos de segurança, não são permitidas visitas aos pacientes internados. Como uma forma de acolher as famílias, um ambiente foi especialmente montado para recebê-las no bloco anexo. Uma equipe multiprofissional se reveza 24h por dia para prestar o atendimento presencial, quando necessário. No local também funcionará uma estrutura de call center com operadores treinados para atualizar os familiares a respeito do boletim médico de cada paciente. Com o objetivo de diminuir a distância com os entes queridos durante o período de internação, também serão realizadas ligações por vídeo com os pacientes cuja condição clínica permita a interação.

Um fluxo de vigilância e monitoramento dos profissionais envolvidos na rotina de funcionamento do Centro Hospitalar, envolve, entre outros aspectos, a verificação diária da temperatura de todos os funcionários na admissão do plantão, testagem e busca ativa de pessoas sintomáticas. 26 profissionais entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas se encarregam de prestar a assistência direta aos trabalhadores, atuando desde a vigilância, passando pela promoção, até a abordagem da saúde mental.

 

O novo hospital passa a integrar o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), unidade de referência da Fundação na atenção especializada em doenças infecciosas, e que já atua também como referência para o atendimento a pacientes graves de Covid-19. A experiência no tratamento dos pacientes do recém-inaugurado hospital será um importante subsídio para diversas frentes de pesquisas sobre a doença. "O novo centro será fundamental para acelerar as pesquisas conduzidas pelo INI e toda a rede de colaboração da Fiocruz no Brasil e internacionalmente. Um exemplo é o ensaio clínico Solidarity, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estuda a eficácia de medicamentos para tratamento da Covid-19”, explicou a diretora do INI, Valdilea Veloso. Coordenado no Brasil pela Fiocruz, o Solidarity é um ensaio clínico randomizado e adaptativo, permitindo que, com o surgimento de novas evidências científicas ao longo do estudo, haja alteração das propostas terapêuticas.

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