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Qui, Maio

Diretor-geral da OMS disse que a entidade soou o alarme da pandemia antecipadamente - Foto: Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que uma revisão independente da resposta ao novo coronavírus começará assim que possível, e recebeu uma promessa generosa de repasse de verbas da China, que está no foco como a origem da pandemia.

O maior crítico da OMS, o governo do presidente norte-americano Donald Trump, denunciou "aparente tentativa de esconder o surto do vírus por pelo menos um Estado-membro" da organização.

Trump suspendeu o repasse de verbas dos Estados Unidos (EUA) para a OMS, após acusar a entidade de ser muito centrada na China, enquanto lidera críticas ao que é percebido como falta de transparência do governo de Pequim nos primeiros estágios da crise.

O secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, não mencionou a China, mas deixou claro que Washington considera que a OMS compartilhava da responsabilidade.

"Precisamos ser francos sobre uma das principais razões pelas quais esse surto saiu fora de controle", disse. "Houve um fracasso por parte dessa organização para conseguir informações que o mundo precisa, e esse fracasso custou muitas vidas".

O ministro de Saúde da China, Ma Xiaowei, disse que Pequim agiu no tempo certo e foi transparente ao anunciar o surto e compartilhar a sequência genética completa do vírus. Ele também pediu que outros países "rejeitem rumores, estigmatização e discriminação".

O presidente chinês, Xi Jinping prometeu US$ 2 bilhões nos próximos dois anos para ajudar a lidar com a covid-19, especialmente nos países em desenvolvimento. O valor representa quase o orçamento anual da OMS e mais que compensa o congelamento de repasses de Trump, de US$ 400 milhões por ano.

O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca John Ullyot, chamou o anúncio chinês de "gesto para distrair os pedidos de crescente número de países que exigem que o governo chinês seja responsabilizado pelo fracasso em alertar o mundo sobre o que estava para acontecer.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a entidade soou o alarme antecipadamente. "Avisamos frequentemente".

Quando a organização declarou a epidemia uma emergência global, em 30 de janeiro, havia menos de 100 casos fora da China e nenhuma morte, afirmou Tedros.

Tabagismo é fator de risco para infecções respiratórias, doenças vasculares, cardiovasculares e pulmonares - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, disse que como o tabagismo é fator de risco para infecções respiratórias, doenças vasculares, cardiovasculares e pulmonares, e o novo coronavírus tem aí sua principal porta de entrada, a "combinação é catastrófica".

Análise publicada na China, dos primeiros casos de covid-19, comparando grupos de fumantes e não fumantes, mostrou que a doença teve evolução mais grave e maior índice de letalidade no grupo de fumantes. “Alguns artigos mostraram 1,5 vez mais, outros 2,4 vezes mais. Ou seja, você mais do que duplica a chance de a doença se agravar e duplica os óbitos em relação ao grupo que não fuma”.

Disseminação

Maltoni chamou a atenção para o fato de o vírus se disseminar com facilidade, principalmente por contaminação pelo perdigoto (gotículas contaminadas de saliva). Outro agravante em relação ao tabagismo é o uso de narguilé (espécie de cachimbo de água de origem oriental, utilizado para fumar tabaco aromatizado e, ocasionalmente, maconha ou ópio) no mundo.

“É um mecanismo de disseminação do vírus muito alto, a ponto de países como o Irã proibirem seu uso em bares e ruas pela possibilidade de propagação, porque passa de boca em boca. Também é uma associação muito perigosa”. Segundo Maltoni, há uma relação muito forte do tabagismo com o agravamento das condições dos pacientes que se infectam pelo novo coronavírus, com aumento maior da letalidade.

O mesmo ocorre em relação aos cigarros eletrônicos (também chamados de vape, são dispositivos eletrônicos para fumar alimentados por bateria de lítio). “São outra forma de você dispersar nicotina e outros produtos para o organismo humano”.

Embora a indústria do tabaco defenda que é instrumento para a pessoa parar de fumar, o diretor executivo da Fundação do Câncer afirmou que esse tipo de cigarro tem em sua constituição substâncias tóxicas, incluindo a nicotina que é oferecida no formato líquido e forma um aerossol.

“Essa inalação do volume de nicotina atinge a corrente sanguínea até mais rápido do que o cigarro convencional". Maltoni destacou que a nicotina é o principal causador da dependência, com todos os efeitos  de agressão ao organismo, como a alteração da imunidade celular em nível pulmonar, alteração do DNA da célula pulmonar, predispondo à transformação das células em câncer, em tumores. Isso também está presente no cigarro eletrônico.

Alerta da OMS

No último dia 11, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma declaração pública alertando que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo, a cada ano. Mais de 7 milhões dessas mortes são decorrentes do uso direto do tabaco e cerca de 1,2 milhão se deve ao fato de os não fumantes serem expostos ao fumo passivo.

Um grupo de especialistas em saúde pública, convidados pela OMS, analisou estudos já publicados em relação à covid-19 e sua relação com o tabagismo. Constatou que os fumantes tinham maior probabilidade de desenvolver as doenças graves e as complicações da infecção de maneira mais grave em comparação com os não fumantes, “inclusive em proporção maior de óbitos do que o grupo de não fumantes”, observou Maltoni.

Nicotina e covid-19

A OMS também se posicionou contrária a estudos favoráveis à adoção de substâncias como a nicotina no tratamento de pacientes com covid-19. Embora sem se referir especificamente a um trabalho francês que defende a nicotina como proteção à covid-19, a organização alerta que é preciso ter cuidado ao adotar esse tipo de recomendação, antes que sejam feitos testes e confirmados seus resultados por instituições de credibilidade internacional.

Luiz Henrique Maltoni destacou que no caso do trabalho francês, ele foi publicado na internet e não em uma revista científica conceituada, como é tradicionalmente feito, onde um comitê editorial analisa cientificamente se o método do trabalho foi bem conduzido, para então autorizar sua publicação. O estudo não foi revisado e não faz referência à aprovação por nenhum comitê de ética em pesquisa, afirmou Maltoni.

O diretor executivo da Fundação do Câncer qualificou o estudo como “um equívoco imenso”. Um dos autores do trabalho é um pesquisador que, durante muito tempo, foi financiado pela indústria do tabaco, disse. Do ponto de vista científico, o trabalho não merece crédito nem citação, acrescentou Maltoni.

Nota conjunta

Em razão da pesquisa francesa, sete entidades médicas, entre as quais a Fundação do Câncer, a Associação Médica Brasileira, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia divulgaram nota na qual entendem que “é muito precoce e arriscado” afirmar que haja qualquer potencial fator protetor da nicotina para a covid-19. “Uma vez contaminados pelo novo coronavírus, os fumantes tendem a ter pior evolução do quadro, com mais gravidade e mortes”, diz a nota.

As entidades de saúde reforçam a importância do combate ao fumo. Estudo do Instituto Nacional do Câncer mostrou que o país gasta cerca de R$ 57 bilhões por ano com despesas médicas e perda de produtividade relacionadas a doenças provocadas pelo fumo. O estudo mostra ainda que o país arrecada R$ 13 bilhões de tributos por ano com a indústria do tabaco, o que significa que há um rombo de pelo menos R$ 44 bilhões para o sistema de saúde brasileiro. Todos os dias, 428 pessoas morrem devido ao tabagismo no Brasil.

Desses, os confirmados com covid-19 somam 899 - Foto: Divulgação

Os PMs estão sofrendo com a pandemia do novo coronavírus, por trabalharem nas ruas, diretamente expostos ao vírus. A PM registra 1.999 agentes afastados em LTS (Licença para Tratamento de Saúde) por apresentarem sintomas da covid-19. Desses, os confirmados somam 899. O número de recuperados chega a 3.268. Ao todo, 14 PMs morreram em consequência do novo coronavírus.

Para reduzir os riscos de contágio, a Diretoria Geral de Saúde (DGS) da PM vem tomando medidas como a determinação de que todos os agentes em serviço precisam utilizar máscaras de proteção e higienizar constantemente as mãos, armamentos e viaturas. O número de PMs dentro de uma viatura foi reduzido a quatro, para um maior espaçamento e acesso às janelas.

Houve ainda remanejamento de pessoal de saúde para atender as vítimas do vírus e a readequação das policlínicas HCPM e HPM-Nit. A corporação vai receber 60 mil máscaras, 900 mil embalagens de álcool em gel e 50 mil litros de álcool líquido para higienização de superfícies.

Segundo a PM, a DGS elaborou protocolos para orientar os policiais num cenário de crise sanitária sem precedentes. O HCPM passou por uma reestruturação de enfermarias e CTI para internação de pacientes graves com covid-19, com suporte de respiradores e monitores, reestruturação da rede de gases e vácuo e reforço de energia (aquisição de gerador), entre outros procedimentos. Outras medidas emergenciais estão em andamento, como processos de contratação de pessoal para abertura de leitos no HCPM, recompondo parte do déficit de profissionais de saúde, como também o credenciamento de hospitais para a internação de PMs.

Já são mais de 26 mil casos confirmados no estado - Divulgação

Após mais uma atualização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), foi registrado que o Rio de Janeiro contabilizou mais 137 mortes em decorrência do coronavírus nesta segunda-feira (18). Com isso, chega a 2.852 o número de vítimas totais, enquanto outras 941 mortes estão em investigação. Até este último boletim, o número de casos da covid-19 no Rio de Janeiro chegou a 26.665, 4.427 pacientes a mais do que o número registrado no domingo, que era de 22.238. Até o momento, entre os casos confirmados, 21.961 pacientes se recuperaram da doença.

Epicentro da pandemia no estado, a capital fluminense registrou 119 mortes nesta atualização. A Secretaria de Estado de Saúde, no entanto, não divulgou o perfil das vítimas. A cidade do Rio chegou a um total de 1.960 casos fatais.

A cidade de Niterói, quinta com mais óbitos,  não registrou novos casos fatais da covid-19 no boletim atualizado em relação ao que foi divulgado no domingo, mantendo-se com 65 óbitos. Apesar disso, na live diária da Prefeitura de Niterói realizada ontem, o prefeito Rodrigo Neves já havia informado sobre 70 mortes no município. 

Já nos casos confirmados, Niterói é a segunda do ranking do estado, com 1.968, segundo a SES. A prefeitura municipal, no último domingo (17), divulgou que eram 1.286 casos. Os dados desta segunda-feira divergem entre o Executivo municipal e o estadual. Em live diária promovida em seu perfil no Facebook, nesta segunda-feira (18), o prefeito Rodrigo Neves anunciou que, no município, existem 1.295 casos confirmados, sendo 663 em isolamento, 493 recuperados e 65 hospitalizados.

 

Os casos confirmados estão distribuídos da seguinte maneira:
Rio de Janeiro – 13.443
Niterói – 1.968
Nova Iguaçu – 1.168
Duque de Caxias – 1.155
São Gonçalo – 849
São João de Meriti – 600
Volta Redonda – 544
Itaboraí – 523
Belford Roxo – 494
Mesquita – 407
Angra dos Reis – 403
Queimados – 383
Campos dos Goytacazes – 368
Magé – 348
Petrópolis – 274
Nilópolis – 239
Teresópolis – 229
Cabo Frio – 221
Maricá – 200
Macaé – 188
Itaguaí – 148
Rio das Ostras – 144
Barra Mansa – 122
Resende – 118
Paracambi – 115
Nova Friburgo – 114
São Fidélis – 94
São Pedro da Aldeia – 90
Saquarema – 84
Três Rios – 83
Araruama – 82
Japeri – 80
Paraty – 69
Cachoeiras de Macacu – 68
Seropédica – 67
Barra do Piraí – 65
Paraíba do Sul – 56
Guapimirim – 55
Rio Bonito – 52
Casimiro de Abreu – 51
Iguaba Grande – 51
Valença – 50
Piraí – 49
Bom Jesus de Itabapoana – 44
Tanguá – 42
Mangaratiba – 41
Itaperuna – 37
São João da Barra – 37
Armação de Búzios – 33
Arraial do Cabo – 33
Sapucaia – 32
São Francisco de Itabapoana – 31
Pinheiral – 30
Itaocara – 28
Santo Antônio de Pádua – 28
Silva Jardim – 24
São José do Vale do Rio Preto – 22
Quissamã – 20
Vassouras – 16
Cambuci – 15
Mendes – 15
Miracema – 14
Rio Claro – 14
Carmo – 12
Itatiaia – 12
Miguel Pereira – 12
Porciúncula – 12
Bom Jardim – 11
Italva – 11
São José de Ubá – 11
Areal – 10
Paty do Alferes – 10
Aperibé – 9
Conceição de Macabu – 9
Carapebus – 8
Cordeiro – 7
Natividade – 7
Cardoso Moreira – 6
Engenheiro Paulo de Frontin – 6
Porto Real – 5
Rio das Flores – 5
Cantagalo – 4
Macuco – 4
Quatis – 4
Laje do Muriaé – 3
Santa Maria Madalena – 3
Sumidouro – 3
Comendador Levy Gasparian – 2
São Sebastião do Alto – 2
Trajano de Moraes – 2
Varre-Sai – 1
Município em investigação – 7

As 2.852 vítimas de Covid-19 no estado foram registradas nos seguintes municípios:
Rio de Janeiro – 1.960
Duque de Caxias – 148
Nova Iguaçu – 95
São Gonçalo – 66
Niterói – 65
Belford Roxo – 52
São João de Meriti – 49
Mesquita – 40
Itaboraí – 37
Magé – 34
Petrópolis – 27
Itaguaí – 23
Nilópolis – 20
Volta Redonda – 18
Maricá – 17
Angra dos Reis – 16
Macaé – 16
Teresópolis – 13
Campos dos Goytacazes – 10
Nova Friburgo – 10
Queimados – 9
Rio das Ostras – 8
Tanguá – 8
Barra Mansa – 7
Paracambi – 7
Barra do Piraí – 6
Cabo Frio – 6
Cachoeiras de Macacu – 6
Iguaba Grande – 6
Resende – 6
Saquarema – 6
Guapimirim – 5
Rio Bonito – 4
São Pedro da Aldeia – 4
Sapucaia – 4
Araruama – 3
Itaocara – 3
Japeri – 3
Seropédica – 3
Silva Jardim – 3
Arraial do Cabo – 2
Bom Jardim – 2
Bom Jesus de Itabapoana – 2
Casimiro de Abreu – 2
Mangaratiba – 2
Paraty – 2
Piraí – 2
São Francisco de Itabapoana – 2
São João da Barra – 2
Valença – 2
Carapebus – 1
Engenheiro Paulo de Frontin – 1
Mendes – 1
Miguel Pereira – 1
Paraíba do Sul – 1
Santo Antônio de Pádua – 1
Trajano de Moraes – 1
Três Rios – 1
Vassouras – 1

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