Violência dispara no Fonseca e expõe abandono na segurança em Niterói

Área da 78ª DP concentra metade da letalidade e 63% dos roubos de veículos registrados em toda a cidade em janeiro; na semana passada, motorista foi baleada em tentativa de assalto

Foto: Reprodução/Redes sociais

Moradores do bairro Fonseca, na Zona Norte de Niterói, passaram a conviver com uma rotina marcada por tiroteios frequentes, medo constante e sensação de abandono do poder público municipal. A escalada da violência, registrada desde o fim de 2025, tem sido associada por moradores ao avanço de disputas entre facções criminosas em comunidades da região.

Relatos de residentes indicaram que confrontos armados se tornaram praticamente diários em áreas próximas às comunidades do Santo Cristo, Palmeira, Coreia e Pimba. Os disparos, segundo moradores, costumam ocorrer principalmente à noite, obrigando famílias a se proteger dentro de casa e alterando completamente a rotina de quem vive no bairro.

Um caso recente reforçou a preocupação da população. Na última semana, a advogada criminalista Thaís da Silva Borges, de 31 anos, foi baleada no pescoço durante uma tentativa de assalto na Rua Riodades. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima. O caso passou a ser investigado pela 78ª Delegacia de Polícia, responsável pela área.

Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública revelaram um cenário preocupante. Em janeiro de 2026, Niterói registrou 14 casos de letalidade violenta, contra 5 ocorrências no mesmo período de 2025, um aumento de 180%. No mesmo intervalo, os roubos de veículos cresceram de 28 para 49 registros, avanço de 75%.

A situação no Fonseca chama ainda mais atenção. A área atendida pela 78ª DP concentrou 31 dos 49 roubos de veículos registrados em toda a cidade em janeiro, o equivalente a 63% dos casos. No mesmo período do ano anterior, haviam sido 14 ocorrências, o que representa aumento de 121%.

O bairro também concentrou metade das mortes violentas registradas em Niterói no primeiro mês de 2026. Dos 14 casos contabilizados no município, 7 ocorreram na região.

Especialistas em segurança pública apontam que esse tipo de concentração de crimes indica fragilidade na prevenção e no controle territorial, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Enquanto os números avançam e o medo cresce, moradores do Fonseca afirmam viver sob tensão permanente.

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