Master: BRB gastou R$ 500 milhões ao comprar 2 vezes mesma carteira sem garantia

O Banco de Brasília comprou duas vezes a mesma cédula de crédito bancário (CCB) do Banco Master, em uma operação que somou cerca de R$ 498 milhões e ocorreu sem garantias adequadas. O caso envolve a carteira da RKO Alimentos, frigorífico do Mato Grosso, e levanta questionamentos sobre a qualidade dos ativos adquiridos e os critérios adotados pelo banco estatal.

A primeira compra foi realizada em outubro de 2024, no valor de R$ 174 milhões. Para atender às exigências internas, foi apresentada como garantia um imóvel avaliado em R$ 1,3 bilhão, localizado em Mata de São João (BA). No entanto, investigações posteriores apontaram que o bem não pertencia ao Banco Master, o que inviabiliza sua utilização como garantia real. Também não havia registro de alienação fiduciária vinculando o imóvel à operação.

Já a segunda aquisição, no valor de R$ 324 milhões, ocorreu em junho de 2025, em meio à necessidade do BRB de substituir carteiras consideradas problemáticas. A operação foi conduzida com rapidez e aprovada antes da emissão de parecer jurídico, mesmo diante de alertas da área técnica da instituição.

Relatórios internos elaborados por diferentes setores do banco identificaram ao menos 18 pontos de risco. Entre eles, destacam-se a ausência de garantias reais, falta de comprovação da aplicação dos recursos, inexistência de documentos contábeis atualizados e baixo nível de cobertura da operação, estimado em cerca de 69%.

Outro ponto crítico foi a mudança no fundo de investimento responsável pelos recursos — inicialmente previsto e depois substituído — sem a formalização de aditivos contratuais. Técnicos também apontaram falhas no acompanhamento da operação, cujo saldo devedor ultrapassava R$ 550 milhões.

Apesar das inconsistências e recomendações de cautela, a compra foi aprovada sem condicionantes pelos órgãos competentes do banco. O caso amplia as dúvidas sobre a governança do BRB, os controles internos adotados e os possíveis impactos financeiros decorrentes dessas operações consideradas de alto risco.

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