Tripulação supera recorde de distância da Terra e inicia sobrevoo histórico pelo lado oculto da Lua
Os quatro astronautas da missão Artemis 2 alcançaram, nesta segunda-feira, o ponto mais distante do espaço já visitado por seres humanos. Navegando em uma trajetória de “retorno livre”, a cápsula Orion aproveita a assistência gravitacional da Lua para realizar um raro sobrevoo tripulado sobre o hemisfério lunar que nunca está voltado para a Terra.
A tripulação — formada pelos americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e pelo canadense Jeremy Hansen — iniciou o sexto dia de voo sob o incentivo de uma lenda viva. O astronauta Jim Lovell, comandante da histórica Apollo 13, enviou uma mensagem de rádio do controle da missão: “Bem-vindos à minha antiga vizinhança. É um dia histórico; apreciem a vista e boa sorte”.
Superando a Apollo 13
Nesta jornada, a Artemis 2 estabeleceu um novo marco espacial ao ultrapassar a distância máxima de 248.655 milhas (400.171 km) da Terra, recorde que pertencia à Apollo 13 desde 1970. No auge de sua órbita, a Orion deve atingir 252.755 milhas (406.769 km) de distância do nosso planeta, estendendo a fronteira da presença humana em mais de 6.000 quilômetros além do recorde anterior.
Geologia e Emoção no Lado Oculto
Enquanto cruzam a face oculta da Lua a cerca de 4.000 milhas de altitude, os astronautas realizam tarefas científicas e simbólicas:
- Nomenclatura: A equipe atribuiu nomes provisórios a crateras não mapeadas. Jeremy Hansen sugeriu o nome “Integrity” (Integridade) para uma das formações.
- Homenagem: Em um momento emocionante, uma cratera no limite da visibilidade terrestre foi nomeada “Carroll”, em tributo à falecida esposa do comandante Reid Wiseman.
O Próximo Passo rumo a Marte
Este voo de 10 dias é o teste definitivo para o retorno da humanidade à superfície lunar, planejado para a missão Artemis 3 em setembro de 2026. O objetivo é estabelecer uma base sustentável no polo sul lunar antes do final da década, servindo como campo de testes para futuras missões tripuladas a Marte.
Durante as seis horas de sobrevoo pelo lado oculto, a tripulação enfrentará o esperado silêncio de rádio (o “blackout” de comunicações) enquanto a Lua bloqueia os sinais da Rede de Espaço Profundo da NASA. Nesse período, os astronautas utilizarão câmeras de alta resolução para registrar o fenômeno do “Nascer da Terra” sobre o horizonte lunar, oferecendo uma nova perspectiva científica sobre a luz solar filtrada nas bordas do satélite.








