A Organização dos Países Exportadores de Petróleo anunciou formalmente no último domingo que os países membros chegaram a um consenso para elevar a cota de produção da commodity em duzentos e seis mil barris diários. A medida administrativa deve entrar em vigor a partir do mês de maio conforme o cronograma estabelecido pelo grupo em suas reuniões técnicas recentes. No entanto especialistas do setor energético e analistas de mercado ouvidos por agências internacionais de notícias alertam que tal aumento poderá ter um efeito meramente simbólico e reduzido na economia global. O principal obstáculo para que esta nova oferta de combustível chegue aos consumidores finais é a continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz. Este canal marítimo vital para o escoamento da produção mundial permanece bloqueado desde o final do mês de fevereiro em decorrência do agravamento dos conflitos armados envolvendo diretamente os Estados Unidos da América, o Estado de Israel e o regime do Irã.
A paralisação das rotas de navegação impede que os principais integrantes da organização consigam efetivar o escoamento do produto mesmo com a autorização para elevar a extração. O cenário de instabilidade no Oriente Médio gerou uma escalada sem precedentes nos preços internacionais fazendo com que o barril de petróleo atingisse valores próximos a cento e vinte dólares. Esta cotação representa a máxima registrada nos últimos quatro anos refletindo o receio de desabastecimento nas principais economias do planeta. Diante da crise o presidente americano Donald Trump estabeleceu um prazo final rígido para que o governo iraniano promova a reabertura imediata do canal. O ultimato tem como limite o horário das vinte e uma horas desta terça feira considerando o fuso de Brasília. O descumprimento desta exigência pode acarretar novas sanções ou desdobramentos estratégicos que impactarão ainda mais o mercado de energia.
O grupo composto por nações como Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã tenta com esta decisão sinalizar uma disposição em estabilizar os preços. Entretanto a capacidade real de entrega está condicionada à segurança das vias marítimas internacionais. Uma nova reunião do bloco está agendada para o dia três de maio quando os representantes deverão analisar minuciosamente as condições de mercado e os desdobramentos do impasse diplomático. Até que o fluxo logístico seja restabelecido no Golfo Pérsico a tendência é que a volatilidade continue a pressionar as bombas de combustível e a inflação global. A responsabilidade pela normalização do abastecimento depende agora da resposta de Teerã ao ultimato de Washington e da garantia de que a liberdade de navegação será respeitada pelas partes envolvidas no embate regional.








