O custo de vida voltou a ganhar protagonismo no dia a dia dos brasileiros, e no Rio de Janeiro os efeitos já são percebidos de forma clara no orçamento das famílias. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a inflação segue pressionando itens essenciais, com impacto direto no poder de compra.
Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,70% no mês, acima do resultado de janeiro (0,33%), indicando aceleração recente dos preços.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada está em torno de 4,44%, dentro da meta oficial, mas ainda com efeitos relevantes no cotidiano da população.
Nos postos de combustíveis, a elevação dos preços segue como fator de pressão. Dados do próprio IBGE mostram que combustíveis voltaram a subir recentemente, contribuindo para o avanço do grupo de transportes um dos principais componentes da inflação.
Nos supermercados, a percepção é semelhante. Embora alguns alimentos tenham apresentado desaceleração ao longo de 2025, a alimentação continua sendo um dos itens que mais pesam no orçamento familiar, especialmente quando combinada com serviços e consumo fora de casa.
Outro ponto de atenção está nos serviços essenciais. A energia elétrica, por exemplo, acumulou alta superior a 12% em 2025, sendo o item com maior impacto individual na inflação do ano.
Especialistas apontam que, embora os indicadores macroeconômicos mostrem relativa estabilidade, a percepção do consumidor é diferente. Isso ocorre porque despesas recorrentes — como transporte, alimentação e energia — concentram grande parte do orçamento doméstico.
Diante desse cenário, famílias têm adotado estratégias para manter o equilíbrio financeiro, como redução de consumo e substituição de produtos. Ainda assim, o avanço contínuo de preços em itens básicos limita o efeito dessas medidas.
No Rio de Janeiro, onde a desigualdade social amplia o impacto das variações econômicas, o custo de vida segue como um dos principais termômetros da qualidade de vida. Mais do que os números oficiais, é no cotidiano que a inflação se traduz — e onde seus efeitos são mais sentidos.








