Elevação histórica das temperaturas e desequilíbrio hídrico aumentam a incidência de pragas e reduzem o rendimento no campo.
O setor de horticultura brasileiro enfrenta um dos anos mais desafiadores da década. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), a persistência e a intensidade do fenômeno El Niño em 2026 estão comprometendo severamente a oferta de frutas e hortaliças, exigindo que o produtor rural redobre o planejamento técnico e a gestão de custos para evitar colapsos na produção.
Impactos Diretos: Clima e Sanidade
As mudanças no regime de chuvas e as ondas de calor atípicas registradas neste primeiro semestre de 2026 geram dois problemas críticos para as hortas:
- Explosão de Doenças e Pragas: O calor excessivo acelera o ciclo de reprodução de insetos-vetores e o desenvolvimento de fungos, forçando o aumento no uso de defensivos agrícolas e elevando o custo de produção.
- Perda de Produtividade: Hortaliças folhosas (como alface e couve) sofrem com o “queima de borda” e florescimento precoce, enquanto frutas perdem calibre e qualidade visual, reduzindo o valor de mercado.
Análise Regional e Gestão de Riscos
O cenário atual exige uma leitura regionalizada, já que o El Niño atua de formas distintas pelo território nacional:
- Região Sul: O excesso de chuvas dificulta o manejo do solo e provoca o apodrecimento de raízes, afetando culturas como batata e cebola.
- Sudeste e Centro-Oeste: As temperaturas muito acima da média histórica reduzem o pegamento de flores em culturas como o tomate, diminuindo a oferta nas prateleiras.
- Nordeste: A seca severa em áreas de sequeiro e a pressão sobre os reservatórios de irrigação limitam a expansão de áreas plantadas de frutas tropicais.
Perspectivas para o Consumidor
Para o Cepea, o reflexo imediato para o consumidor final é a volatilidade de preços. Com a menor oferta de produtos de “primeira linha”, a tendência é que os preços nas capitais apresentem altas superiores à inflação oficial durante o outono e inverno de 2026.
Destaque Técnico: “O cenário não permite amadorismo. O produtor que não investiu em tecnologias de mitigação, como cultivo protegido ou sistemas de irrigação de precisão, enfrentará margens negativas este ano”, aponta o relatório.
Resumo dos Desafios em 2026
| Fator de Risco | Consequência no Campo | Impacto no Mercado |
| Calor Extremo | Estresse hídrico e abortamento de flores. | Menor oferta e produtos menores. |
| Chuvas Irregulares | Aumento de doenças fúngicas e bacterioses. | Maior custo com defensivos. |
| Logística | Perdas no transporte por calor excessivo. | Redução do shelf-life (tempo de prateleira). |
Este relatório baseia-se em dados consolidados do Cepea e previsões meteorológicas para o ano agrícola 2025/2026.








