A assinatura do contrato que marca a saída da SuperVia e a entrada do Consórcio Nova Via Mobilidade na operação dos trens metropolitanos do Rio de Janeiro abre um novo capítulo para o transporte ferroviário do estado. O acordo formaliza a transição do sistema após anos de crise financeira, problemas operacionais e forte pressão de passageiros por melhorias no serviço.
O documento foi firmado pelo governo estadual após processo judicial e administrativo que permitiu a transferência da concessão atualmente controlada pela empresa SuperVia, cuja principal acionista é a GUMI Guarana Urban Mobility Incorporated, subsidiária da trading japonesa Mitsui. A operadora entrou em recuperação judicial em 2021 com dívidas próximas de R$ 1,2 bilhão.
O novo operador foi escolhido em leilão realizado na 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O Consórcio Nova Via Mobilidade apresentou desconto de 0,06% sobre a tarifa de remuneração estipulada em R$ 17,60 por carro quilômetro, critério central do edital.
Pelo contrato, a nova gestão terá prazo inicial de 5 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 5. O consórcio é liderado pelo Grupo Barraqueiro, operador português considerado um dos maiores grupos privados de transporte da Europa, com mais de 9 mil funcionários e cerca de 4 mil veículos.
O sistema ferroviário atende aproximadamente 270 mil passageiros por dia em 12 municípios da região metropolitana. Entre os principais ramais estão Santa Cruz, Japeri, Deodoro, Belford Roxo e Saracuruna, conectando bairros populosos da capital e cidades da Baixada Fluminense.
O governo estadual informou que continuará responsável pelos investimentos estruturais da rede. Estão previstos cerca de R$ 652 milhões ao longo de 5 anos para troca de trilhos, postes e dormentes, modernização da rede aérea e revitalização de transformadores do sistema.
Segundo o governo, parte das melhorias já começou durante o período preparatório da transição. Foram aplicados mais de R$ 160 milhões em manutenção da via férrea, recuperação de trens e substituição de cabos de cobre por alumínio para reduzir furtos.
A expectativa oficial é que a mudança de operador traga maior regularidade às viagens e estabilidade financeira ao sistema ferroviário fluminense. O período de transição será de 90 dias para ajustes operacionais finais.








