O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a comissão teve acesso a quebras de sigilo das contas do banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, evidenciando repasses para familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vieira solicitou a criação da CPI Toga Master para investigar diretamente a relação de ministros com Vorcaro e executivos ligados ao banco.
Segundo o parlamentar, os dados obtidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram movimentações atípicas que podem indicar conflito de interesses e potencial configuração de corrupção ativa, embora ainda seja necessário aprofundamento jurídico para comprovação. O relatório inclui 200 laudas sobre a Reag Investimentos e 80 páginas do Master, detalhando transferências suspeitas e gastos atípicos, como viagens custeadas pelo grupo de interesse.
Em resposta, Toffoli afirmou ser sócio da Maridt Participações, que realizou negócios com fundos ligados ao Master, negando irregularidades. Já o escritório da esposa de Moraes confirmou atuação em causas do Master, sem relação direta com o STF, defendendo que os valores recebidos correspondem a serviços jurídicos prestados por 15 advogados.
Vieira ressalta que a análise preliminar evidencia risco moral e institucional, sugerindo a necessidade de regulamentação ética no STF e maior transparência nos procedimentos internos. “O Supremo precisa de um código de ética; a toga preta não é sinônimo de impunidade, mas de justiça”, declarou.
A CPI, iniciada em novembro de 2025, aprofunda investigações sobre facções e movimentações financeiras atípicas, incluindo conexões com autoridades públicas. A análise detalhada dos dados obtidos abre precedentes inéditos de fiscalização sobre membros da suprema corte, reforçando a importância de controles institucionais e da observância estrita à legislação, garantindo que qualquer indício de irregularidade seja apurado com respaldo jurídico.
O episódio aumenta a pressão política sobre o STF e reforça debates sobre ética, transparência e accountability no Poder Judiciário brasileiro.







