A cantora, poeta e escritora Ana Cruz sobe ao palco do Centro Cultural Cauby Peixoto, no próximo dia 26 de março, às 19h, para apresentar o musical “Oráculo de Minhas Insurgências”. O Centro Cultural Cauby Peixoto, um casarão todo restaurado com estrutura técnica moderna, fica na Alameda São Boaventura, 263, no Fonseca.
A performance reúne poesia, música e expressão corporal em um espetáculo que sintetiza a trajetória artística da autora. No palco, Ana transforma palavra em presença cênica e musical, celebrando a cultura afro-brasileira e dialogando com a memória coletiva das mulheres negras do Brasil.
Mineira de origem e moradora de Niterói, a artista construiu, ao longo de décadas, uma obra marcada pelo compromisso estético e político com a ancestralidade africana, o feminismo negro e a valorização de saberes historicamente silenciados. Comunicóloga e pesquisadora, possui especialização em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira.
Sua atuação também se destaca no campo político e social. Ana Cruz participou da fundação do Movimento Feminista Negro ao lado de intelectuais como Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento, integrando uma geração que consolidou as bases do pensamento feminista negro no país.
A carreira literária de Ana Cruz teve início em 1995, com o lançamento de ‘É Feito de Luz’. Desde então, publicou de forma independente obras como Com Perdão da Palavra (1998), Mulheres que Rezam (2001), Guardados da Memória (2008), Eu Não Quero Flores de Plástico (2016) e Insurreições Mulheres Minas (2020). Sua produção é reconhecida pela força poética, pela centralidade da memória e pela afirmação identitária.
Em 2011, lançou o DVD literário Mulheres Bantas – Vozes de Minhas Antepassadas. Já em 2015, apresentou o CD Sublime Ancestralidade, no qual seus poemas ganham dimensão musical, reafirmando a oralidade como elemento estruturante de sua criação artística.
Reconhecida também no meio acadêmico, sua obra tornou-se objeto de pesquisas em universidades públicas brasileiras, incluindo a dissertação de mestrado A Questão da Memória e Identidade na Obra de Ana Cruz e Conceição Evaristo.








