O Músculo da Discórdia

O Brasil assiste, entre o espanto e a ironia trágica, ao que parece ser o maior fenómeno de “ressurreição” em massa da história da humanidade. Em pleno março de 2026, dados oficiais do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Polícia Federal revelam que o governo federal, na sua sanha de anunciar estatísticas triunfalistas sobre a erradicação da pobreza, operou um milagre que desafia a biologia e a lógica: os mortos estão a levantar-se dos túmulos para sair da miséria. Afinal, como explicar que 2.712 cidadãos já falecidos continuem ativos e a receber o benefício do programa “Pé-de-Meia”?


O Milagre da Ressurreição em massa

Essa necrofilia administrativa é o ápice do escárnio com o dinheiro do pagador de impostos. Enquanto o cidadão de bem pena para atualizar um documento, o sistema estatal mantém um exército de fantasmas com as contas recheadas. O TCU identificou que o programa operou 5,1 bilhões de reais acima do previsto, sem qualquer rigor técnico. É a primeira vez na história que o “além” vira beneficiário de programa social com selo oficial. A gestão atual, sob a bandeira da justiça social, parece ter descoberto como distribuir renda no cemitério, mantendo 16.811 beneficiários irregulares numa “folha de pagamento” que ignora o atestado de óbito.

A Farra dos “Miseráveis” de Luxo


Se no campo espiritual o milagre é a volta à vida, no campo material a “mágica” é a transformação de milionários em indigentes de papel. No Ceará, reduto político da esquerda, a audácia ganha contornos de deboche absoluto. Investigadores da Polícia Federal identificaram que sócios de empresas que movimentaram 455,5 milhões de reais em contratos públicos figuravam no Cadastro Único como “miseráveis”. Estes laranjas, devidamente inscritos para receber o Bolsa Família, serviam para camuflar a lavagem de dinheiro e o desvio de emendas parlamentares. É o “Bolsa Mansão”: você fatura milhões com o Estado e ainda garante o auxílio do governo para o cafezinho, enquanto o verdadeiro necessitado espera na fila da ineficiência.

A Justiça deu 60 dias para exorcizar os mortos e pararem de tirá-los da miséria “alheia”

Diante do escândalo macabro, o ministro Benjamin Zymler determinou a suspensão imediata dos pagamentos e deu um prazo de 60 dias para que o governo promova um verdadeiro “exorcismo” nos seus bancos de dados. É preciso expulsar os fantasmas e os aproveitadores que sangram os cofres públicos. Contudo, essa paciência processual levanta uma questão pertinente sobre a nossa “democracia relativa”.

Se fosse os Supremos o prazo será de 24 horas, ou 5 dias no máximo


A celeridade no Brasil tornou-se um artigo de luxo ideológico. Quando o assunto é combater a dita “desinformação” ou expedir ordens que atingem a oposição, os prazos são implacáveis: 24 horas ou, no máximo, 5 dias. Para calar vozes dissidentes, o judiciário move montanhas em segundos; mas para estancar o ralo por onde escorrem bilhões para defuntos e laranjas milionários, a justiça caminha com a lentidão de uma tartaruga artrítica. Essa dualidade é uma larva vulcânica que queima a confiança do povo: temos pressa para a censura e uma calma eterna para o combate ao roubo descarado. Se o crime beneficia o sistema, o prazo é generoso; se a verdade incomoda o poder, a guilhotina cai em um dia. O povo brasileiro não precisa de milagres de cemitério, precisa que a balança da justiça pare de pesar apenas para um lado enquanto os mortos e os espertos riem da nossa cara

Por: Jornalista – Alexandre França

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