TCU vê risco em leilão de energia

Representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União aponta falhas relevantes no leilão de reserva de capacidade de energia de 2026. O certame prevê contratação de cerca de 19 GW, com impacto estimado de até R$ 40 bilhões anuais, refletindo diretamente na conta de luz dos consumidores.

O documento, assinado pelo subprocurador Lucas Rocha Furtado, indica riscos à concorrência e questiona a integridade do processo. Entre os pontos levantados está a participação de empresas associadas à Evolution Power Partners, grupo com histórico de inadimplência em leilões anteriores.

Segundo a representação, houve elevação de até 80% nos preços teto em intervalo de 3 dias, sem detalhamento técnico público. O deságio médio ficou entre 5% e 5,5%, índice considerado baixo, o que pode indicar limitação competitiva.

O MP solicita a suspensão do leilão, auditoria nas empresas vencedoras e análise da capacidade técnica e financeira dos projetos. Também pede encaminhamento do caso ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.

Outro ponto destacado envolve possíveis vínculos societários não declarados entre empresas vencedoras, o que pode comprometer a lisura do certame. A atuação coordenada de grupos econômicos é apontada como risco à livre concorrência.

O tribunal ainda não deliberou sobre o pedido. A análise ocorre em contexto de crescente atenção à transparência em contratos públicos de grande impacto econômico, especialmente em setores estratégicos como o de energia elétrica nacional atualmente.

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