Acordo mediado pelo Paquistão suspende ameaça de ataques em larga escala; em troca, Teerã deve garantir a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
WASHINGTON/TEERÃ – Em uma mudança abrupta de retórica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta terça-feira (7) a suspensão dos ataques planejados contra o Irã por um período de duas semanas. O recuo ocorreu menos de duas horas antes do fim do prazo de um ultimato que prometia uma ofensiva “destrutiva” contra a infraestrutura do país.
A decisão foi fruto de uma intensa mediação diplomática liderada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e pelo chefe do Exército paquistanês, General Asim Munir.
“Com base em conversas com o premiê Sharif e o marechal Munir, que solicitaram a suspensão da força destrutiva sendo enviada esta noite, e sujeito à concordância do Irã com a ABERTURA COMPLETA e SEGURA do Estreito de Ormuz, eu concordo em suspender os ataques”, publicou Trump em sua rede social.
Os Termos da Trégua
O acordo, classificado por Trump como um “cessar-fogo de mão dupla”, estabelece condições críticas para ambos os lados:
- Pelo lado dos EUA: Suspensão imediata de bombardeios contra usinas de energia, pontes e outros alvos civis e militares por 14 dias.
- Pelo lado do Irã: Reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial, via essencial por onde circula 20% do petróleo mundial. O trânsito será coordenado pelas Forças Armadas iranianas durante este período.
- Negociações em Islamabad: Delegações de ambos os países devem se reunir no Paquistão a partir desta sexta-feira (10) para discutir um plano de paz duradouro.
A Proposta de 10 Pontos
O governo iraniano, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, confirmou que a trégua servirá para analisar um plano de 10 pontos apresentado por Teerã. Embora Trump tenha chamado o documento de “uma base viável para negociar”, persistem divergências fundamentais.
| Exigências de Washington | Exigências de Teerã |
| Desativação de usinas de enriquecimento de urânio. | Fim de todas as sanções econômicas dos EUA. |
| Limitação do alcance de mísseis balísticos. | Pagamento de compensações por danos de guerra. |
| Fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. | Garantia de não-agressão futura. |
Contexto de Tensão e “Ameaça de Civilização”
A trégua traz um alívio momentâneo após horas de angústia global. No início da terça-feira, a retórica de Trump havia atingido seu pico de agressividade, com o presidente declarando que “toda uma civilização morreria esta noite” caso o Estreito de Ormuz não fosse liberado.
Especialistas e líderes internacionais alertaram que ataques contra infraestruturas civis poderiam ser enquadrados como crimes de guerra sob as Convenções de Genebra. A civilização persa, citada no embate, possui mais de 2,5 mil anos de história documentada.
Impacto Imediato
O anúncio do cessar-fogo provocou uma queda imediata nos preços do petróleo nos mercados internacionais e uma alta nas bolsas de valores. Contudo, o Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã alertou que “as mãos permanecem no gatilho” caso os EUA ou seus aliados (incluindo Israel) retomem ataques durante o período de negociação.
Nota: Esta matéria reflete os desdobramentos diplomáticos registrados até 8 de abril de 2026.








