
Por: Wellyngton Inácio
Março chegou com a sensação de “corrida contra o relógio”, mas, no Imposto de Renda, a velocidade só ajuda quando vem acompanhada de método. A declaração do IRPF 2026, referente ao ano-calendário de 2025, tradicionalmente abre em meados de março e termina no fim de maio. Em 2026, como as datas clássicas costumam cair em fim de semana, é prudente tratar o início como “segunda quinzena de março” e o encerramento como “últimos dias úteis de maio”, confirmando o calendário oficial assim que a Receita publicar. Esse cuidado simples evita que o contribuinte se baseie em boatos, perca prazos e ainda comprometa a restituição.
Para o cidadão fluminense, o primeiro passo não é abrir o programa: é montar a pasta. Comece pelos informes de rendimentos (salários, pró-labore, aposentadoria, pensão), informes bancários e de corretoras, comprovantes de pagamentos a plano de saúde e escolas, além de recibos médicos com CPF ou CNPJ. Esse material costuma estar disponível no fim de fevereiro e início de março. A regra prática é conferir se o que você recebeu está refletido nos documentos e se o que você pagou tem comprovação compatível. A Receita não “adivinha” despesas; ela exige lastro.
A declaração pré-preenchida é uma aliada, mas não é um atestado de que está tudo certo. Ela importa dados de fontes pagadoras e instituições, porém pode vir incompleta, duplicada ou sem informações relevantes. O risco maior é o contribuinte aceitar tudo no automático e enviar com omissões. Dependentes são um ponto clássico de erro: rendimentos de estágio, bolsas, pensões, aposentadoria e aplicações em nome de cônjuge ou filho precisam entrar quando houver obrigação. Outra armadilha é o cruzamento de informações financeiras: movimentações relevantes passam pelos sistemas de reporte e a divergência entre renda declarada e padrão de movimentação costuma acender alertas. Não é motivo para pânico; é motivo para consistência.
Se você pretende usar serviços digitais (portal e aplicativo), resolva antes o acesso à conta gov.br. Em muitos casos, o acesso a funcionalidades completas depende de conta em nível mais alto, o que evita travas e correria na última semana. Feito isso, confira item por item: identificação, dependentes, rendimentos, bens e direitos, dívidas e ônus, pagamentos e doações. Em saúde, redobre a atenção: despesas médicas exigem recibos idôneos, com identificação do prestador e descrição do serviço. Não “invente” e não aceite recibo genérico: é aí que muita gente cai por erro ou por má orientação.
Sobre restituição, vale lembrar: enviar cedo pode ajudar, mas a ordem também depende de prioridades legais e da consistência das informações. A pressa que gera erro costuma custar caro, porque retificação demora e, em caso de inconsistência, o contribuinte pode ficar preso em análise. O caminho seguro é simples: organizar hoje, conferir amanhã e transmitir quando cada número fizer sentido com os documentos.
A utilidade desta coluna é direta: não terceirize sua responsabilidade fiscal para a pressa. O contribuinte que trata a declaração como um projeto pequeno, com checklist e revisão, atravessa o período com tranquilidade e mantém o CPF regular, sem sustos em banco, crédito, matrícula ou concurso. O Leão pode ser exigente, mas é previsível: ele cobra método, prova e coerência.








