O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, trabalha para concluir uma proposta de delação premiada até o fim da semana, segundo informações levantadas a partir do andamento das negociações conduzidas por sua defesa. Preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, ele mantém encontros frequentes com advogados com o objetivo de finalizar o conteúdo que será apresentado às autoridades investigadoras. A proposta, uma vez concluída, deverá ser encaminhada à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República no início de maio.
Após essa etapa, o material seguirá para análise do Supremo Tribunal Federal, responsável pela eventual homologação do acordo, sob relatoria de ministro competente para casos dessa natureza. O procedimento segue o rito previsto na legislação brasileira para colaborações premiadas, que exige validação judicial para que produza efeitos legais. As reuniões entre Vorcaro e sua defesa ocorrem diariamente em dias úteis, no período das 9h às 17h, dentro da unidade da Polícia Federal onde ele está custodiado. Mesmo durante intercorrências de saúde relatadas pela defesa, os encontros foram mantidos, com exceção de um intervalo de cinco dias relacionado a procedimentos internos e feriado.
A coordenação das negociações é conduzida pelo advogado José Luís Oliveira Lima, com apoio de outros profissionais da equipe jurídica, incluindo o advogado Sérgio Leonardo, responsável também por questões logísticas. De acordo com fontes próximas à negociação, a delação em elaboração deve abordar supostos envolvimentos de agentes do mercado financeiro, empresários e possíveis interlocutores políticos relacionados ao contexto investigado.
A defesa também discute a possibilidade de restituição de valores que eventualmente sejam indicados no acordo, conforme avaliação das autoridades competentes durante a análise. Juristas consultados apontam que a delação premiada depende de requisitos legais como voluntariedade, consistência das informações e efetiva contribuição para investigações em curso. A homologação pelo Supremo Tribunal Federal é condição indispensável para validade jurídica do acordo, o que inclui análise de legalidade e utilidade das informações prestadas.
Até o momento, não há confirmação oficial dos termos finais nem da aceitação do conteúdo pelas autoridades responsáveis. O caso segue em fase de negociação, sob sigilo parcial, conforme previsto na legislação brasileira. O Banco Master e a defesa de Vorcaro não se manifestaram publicamente sobre os detalhes da proposta até o fechamento desta edição.