O uso de tomografia em árvores com sinais de fragilidade mostra que Niterói tenta qualificar tecnicamente uma frente sensível da gestão urbana, mas também expõe o tamanho da cobrança sobre prevenção em áreas de circulação intensa. Segundo a prefeitura, o equipamento passou a ser aplicado em casos que exigem diagnóstico mais aprofundado sobre a estrutura interna dos troncos, permitindo avaliar apodrecimento, cavidades e perda de resistência antes de qualquer decisão definitiva.
Com base nesse protocolo, três árvores do Campo de São Bento foram retiradas por comprometimento estrutural, entre elas um pau-brasil e dois aldragos. A informação tem peso porque desloca o debate do paisagismo para o risco concreto em espaço público muito frequentado. A tecnologia ajuda, mas não resolve sozinha a cobrança central. Em cidade com praças, calçadas arborizadas, parques e corredores de pedestres, a pergunta inevitável passa a ser a escala do monitoramento, a frequência dos exames e a velocidade das respostas quando o laudo aponta problema.
Quando uma remoção acontece em área simbólica, o município automaticamente amplia a expectativa por transparência, histórico de inspeções e comunicação capaz de mostrar onde o risco está e o que será feito depois. Em arborização urbana, prevenção eficaz não é só retirar o exemplar comprometido. É identificar antes, agir com método e reduzir a chance de o perigo permanecer invisível até o momento crítico. Esse é o teste diário da política pública de manutenção. E não apenas da tecnologia usada hoje ali.