A projeção oficial de dobrar a população residente do Centro recoloca a reocupação urbana no coração do debate sobre Niterói. Segundo a prefeitura, a meta é fazer a região passar de dezoito mil para quarenta mil moradores em dez anos, impulsionada por retrofit, novos empreendimentos e revitalização.
O número impressiona, mas o valor real da proposta depende da capacidade de absorver mais gente sem repetir gargalos de circulação, drenagem, saneamento, atendimento e segurança. Em planejamento urbano, densidade só vira avanço quando vem acompanhada de infraestrutura, regras claras, serviços funcionando e escala compatível com a pressão cotidiana do território.
Sem isso, a promessa de revitalização corre o risco de entregar vitrine imobiliária sem solução proporcional para quem mora, trabalha ou circula na área central. O desafio agora é acomodar crescimento real.