Coral Sanfeliu Pujol, formada em biologia, dedica-se ao estudo do cérebro desde o início de sua
carreira — Foto: Reprodução
Estudos derrubam mitos sobre o cérebro
Durante décadas, o envelhecimento cerebral foi tratado como um processo inevitável de
perda de memória e redução da capacidade de aprendizado. No entanto, pesquisas
recentes na área da neurociência apontam um cenário mais otimista. Especialistas
afirmam que o cérebro mantém capacidade de adaptação e aprendizado ao longo de toda
a vida, desde que receba estímulos adequados.
Uma das pesquisadoras que estudam o tema é a bióloga Coral Sanfeliu Pujol,
responsável pelo Grupo de Neurodegeneração e Envelhecimento do Instituto de
Pesquisa Biomédica de Barcelona. Segundo ela, os avanços tecnológicos das últimas
décadas permitiram compreender melhor como o cérebro envelhece e quais fatores
podem acelerar ou retardar esse processo.
Caminhar já traz benefícios importantes
Entre as descobertas mais relevantes está a influência da atividade física sobre a saúde
cerebral. Estudos citados pela especialista mostram que os benefícios não começam
apenas em metas elevadas de exercício.
De acordo com as pesquisas, cerca de 4 mil passos por dia já estão associados a menor
risco de declínio da memória e de outras funções cognitivas. Os ganhos aumentam
progressivamente com a prática de atividade física regular, alcançando resultados ainda
mais expressivos entre 8 mil e 10 mil passos diários.
Além da caminhada, tarefas cotidianas como cozinhar, fazer compras, cuidar da casa,
subir escadas e utilizar bicicleta como meio de transporte também contribuem para a
manutenção da saúde cerebral.
O perigo do sedentarismo físico e mental
Os especialistas alertam que o cérebro segue a lógica de uso contínuo. Quando não é
estimulado, tende a formar menos conexões neurais e enfraquecer estruturas já
existentes. O resultado pode ser redução da memória, da atenção e da capacidade de
raciocínio.
O isolamento social, o excesso de tempo passivo diante de telas e rotinas
excessivamente repetitivas também aparecem entre os fatores associados ao
envelhecimento cerebral acelerado. Segundo os estudos, a vida moderna frequentemente
afasta as pessoas de atividades que historicamente contribuíram para o desenvolvimento
humano, como interação social, movimento físico e contato com novos desafios.
Aprender continua sendo possível em qualquer idade
Outro ponto destacado pelas pesquisas é a derrubada de antigos mitos sobre o
funcionamento do cérebro. A crença de que idosos perdem a capacidade de aprender
não encontra respaldo científico. Embora alguns processos cognitivos possam se tornar
mais lentos com o avanço da idade, a plasticidade cerebral permanece ativa.
Aprender um idioma, tocar um instrumento musical, participar de cursos, praticar jogos
de estratégia, realizar leituras frequentes e desenvolver novos hobbies são atividades
associadas à formação de novas conexões neurais. Esse processo fortalece a chamada
reserva cognitiva, considerada uma das principais proteções contra o declínio mental.
Hábitos que fortalecem o cérebro
Os pesquisadores destacam que os melhores resultados surgem da combinação entre
estímulo mental, atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada e
convivência social ativa. Também é recomendável controlar fatores de risco como
pressão alta, diabetes e colesterol elevado.
A conclusão dos estudos é clara: envelhecer não significa necessariamente perder a
capacidade mental. Manter o corpo em movimento e a mente ativa continua sendo uma
das estratégias mais eficazes para preservar a memória, a autonomia e a qualidade de
vida ao longo dos anos.