Álbum da Copa do Mundo 2026 reacende troca de figurinhas, movimenta colecionadores e expõe o contraste entre Neymar e Endrick na Seleção Brasileira
As figurinhas da Copa do Mundo voltaram a ocupar bancas, grupos de troca, mesas de família e conversas entre torcedores. Em plena Copa de 2026, o álbum deixou de ser apenas brincadeira de criança e virou um retrato paralelo do futebol: mistura memórias, mercado, estatística, aposta em craques e até debate sobre quem realmente representa uma seleção.
A edição deste Mundial ganhou dimensão inédita porque acompanha a primeira Copa com 48 seleções. Segundo publicações especializadas, a coleção da Panini tem 980 figurinhas, incluindo 68 especiais, em um álbum de 112 páginas. A ampliação do torneio aumentou o número de jogadores, escudos, seleções e cromos raros, tornando a busca pelo álbum completo mais longa, mais cara e mais dependente das tradicionais trocas.
O fenômeno não está apenas na compra dos pacotinhos. Está no encontro. Quem coleciona sabe que completar o álbum sozinho é mais difícil. A lógica da Copa das figurinhas passa pela negociação: repetidas viram moeda, grupos de WhatsApp organizando listas, crianças aprendem a trocar, adultos revivem a infância e praças, escolas e pontos comerciais se transformam em pequenas bolsas de valores do futebol.
Essa economia informal também ajuda a explicar por que algumas figurinhas ganham peso simbólico. Nem sempre a mais valiosa é a de quem está jogando melhor. Às vezes, é a de quem marca uma geração, de quem ficou fora, de quem surge como promessa ou de quem se tornou assunto antes mesmo de entrar em campo.
Nesse ponto, Neymar e Endrick ajudam a contar a história desta Copa. Neymar segue sendo o nome de maior apelo popular da Seleção Brasileira. Mesmo lesionado e sem atuar nos dois primeiros jogos do Brasil, continuou no centro da conversa nacional. A Reuters informou que o camisa 10 ficou fora do empate com Marrocos e da vitória por 3 a 0 sobre o Haiti por causa de lesão na panturrilha, mas ainda havia expectativa de retorno para o jogo contra a Escócia.
Nas figurinhas, porém, o caso é ainda mais curioso. Publicações internacionais registraram que Neymar não aparece no álbum físico da Panini de 2026, ausência explicada pelo processo de escolha feito antes da confirmação final dos elencos. Para o colecionador, isso transforma o jogador em uma espécie de “ausência presente”: ele não está colado na página, mas continua colado no imaginário do torcedor brasileiro.
Endrick ocupa outro lugar nessa narrativa. Aos olhos do mercado e da torcida, representa a renovação. É o jogador da expectativa, da promessa e da transição entre ciclos. Durante a vitória sobre o Haiti, veículos esportivos registraram que ele recebeu minutos em campo e chegou a balançar a rede em lance anulado por impedimento. Ainda não é o protagonista técnico da Copa brasileira, mas já carrega valor simbólico para quem olha o álbum como uma fotografia do futuro.
O contraste é forte. Neymar, o atual representante da camisa 10, a idolatria e a pergunta sobre um último grande Mundial. Endrick representa o próximo capítulo, a curiosidade e a aposta em uma nova geração. Nas bancas e nos grupos de troca, os dois nomes funcionam como termômetros: um mede a força da saudade; o outro, a ansiedade pelo que vem depois.
No fim, o álbum explica algo que a tabela da Copa não mostra sozinha. Figurinhas não são apenas papel colado. São memória, consumo, afeto, estatística, disputa e conversa pública. A cada figurinha repetida, a Copa sai da televisão e entra na rotina. E é justamente por isso que, a cada quatro anos, o mundo volta a se perguntar não só quem será campeão, mas qual cromo vai faltar para completar a história.
Por Wellyngton Inácio, com colaboração infantil de Arthur Alves
Esta matéria contou com a colaboração de Arthur, 8 anos, na observação do universo das figurinhas e da troca entre crianças.