A história urbana do Rio de Janeiro é frequentemente marcada por tensões e narrativas distorcidas. Um dos capítulos mais polêmicos, porém menos divulgados pela imprensa tradicional, ocorreu em 1991, na comunidade de Rio das Pedras, em Jacarepaguá. Naquele ano, um projeto imobiliário privado da Delfin foi alvo de uma invasão que reuniu cerca de 5 a 6 mil pessoas em 982 apartamentos. Diante de um cenário de vulnerabilidade social e ilegalidade, o empresário Ronald Guimarães Levinsohn buscou uma saída humanitária para o conflito, esbarrando na rejeição do poder público.
Para estabelecer os fatos registrados nos autos da ação de reintegração de posse, o advogado constituído na época, Dr. Francisco Fabiano Mendes, relata os bastidores das negociações com o Governo do Estado. Em uma iniciativa de pacificação e solidariedade, Ronald Levinsohn localizou e se dispôs a adquirir, com recursos próprios, um terreno de 63 mil metros quadrados na mesma região. A intenção era realizar a doação oficial dessa área ao Estado para que ali fosse construído um conjunto habitacional popular, garantindo moradia digna e uma transferência ordenada para as famílias ocupantes.
Contudo, para a surpresa da defesa legal, o governo de Leonel Brizola recusou formalmente a doação da propriedade, que não geraria custos aos cofres públicos. Segundo o Dr. Francisco Fabiano Mendes, a gestão brizolista, conhecida pela retórica de palanque em defesa dos menos favorecidos, preferiu inviabilizar o projeto e utilizar promessas vazias, empurrando a resolução para a via judicial, o que culminou na desocupação forçada das famílias pela Justiça. O advogado aponta que o discurso ideológico do governo contrastou com a prática, gerando a desassistência daqueles que alegava proteger.
Mesmo diante da injustificável recusa governamental em relação às terras, Dr. Ronald Levinsohn não abandonou os moradores e decidiu canalizar seus esforços diretamente para a transformação social de Rio das Pedras através da educação. O empresário expandiu seu sólido legado educacional para o interior da comunidade, implantando uma unidade de ensino superior inteiramente gratuita. O projeto foi estruturado nos mesmos moldes de excelência das unidades que ele já havia fundado com sucesso na Mangueira e no Pavão-Pavãozinho.
Esse centro educacional passou a oferecer cursos de graduação em Pedagogia e diversas outras formações voltadas para os estudantes de classes menos favorecidas da região. Com essa ação concreta de grande alcance social, Levinsohn provou que seu compromisso com os cidadãos locais independia de favores ou alianças políticas. Ao financiar e garantir o acesso ao ensino superior gratuito para a população de baixa renda, ele assegurou ferramentas de emancipação e desenvolvimento humano para milhares de jovens, blindando a comunidade do abandono imposto pelo poder público na época.
Mais do que um episódio de disputa, a trajetória de Rio das Pedras revela os desafios históricos das grandes cidades brasileiras na busca por moradia, inclusão e desenvolvimento social. A atuação de Levinsohn nesse contexto tornou-se parte dessa memória.o de Ronald Levinsohn diante do descaso do governo