Tarifa dos EUA chega à economia do Rio
Sobretaxa sobre produtos brasileiros exige atenção a exportações, fornecedores, portos e empregos fluminenses
A tarifa chega ao território fluminense
A nova tarifa dos EUA anunciada nesta semana deixa de ser uma disputa distante quando entra na rota das fábricas, dos portos e dos empregos do Rio de Janeiro. A sobretaxa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, prevista para vigorar em 22 de julho, exige reação coordenada. O desafio não é apenas preservar exportações. É impedir que a incerteza reduza produção, investimentos e renda no estado.
O peso para o Rio
Os Estados Unidos foram o segundo maior destino das exportações fluminenses em 2024. Segundo o panorama do Instituto Pereira Passos, responderam por 16,2% das vendas externas do estado, equivalentes a US$ 7,4 bilhões. Petróleo, derivados, produtos de ferro e aço e equipamentos industriais aparecem nessa relação. Parte importante do petróleo ficou fora da nova lista, mas fornecedores, fabricantes, terminais e empresas de logística continuam expostos aos efeitos indiretos.
Quando um produto perde competitividade no exterior, a consequência pode alcançar encomendas, turnos de produção e contratações. Niterói, São Gonçalo e a capital dependem de cadeias industriais e de serviços conectadas à atividade portuária e energética. A economia fluminense precisa, portanto, observar não apenas quem exporta diretamente, mas também seus fornecedores e transportadores.
Crédito não substitui estratégia
O governo federal anunciou um pacote de R$ 13,3 bilhões em crédito, renegociação de dívidas e apoio aos segmentos rurais atingidos. A medida oferece fôlego, mas crédito é dívida e precisa encontrar empresas com mercado para vender. Sem negociação comercial e abertura de novos destinos, o socorro corre o risco de apenas adiar dificuldades.
Também será necessário cuidado com uma eventual resposta brasileira. Retaliações mal calibradas podem encarecer máquinas, medicamentos e insumos importados, levando parte da conta ao cidadão fluminense. Diplomacia e reciprocidade precisam caminhar com avaliação de impacto sobre preços, emprego e investimentos.
O que o Rio deve cobrar
O Governo do Estado, prefeituras e entidades empresariais devem identificar empresas expostas, orientar pequenos fornecedores e acompanhar os empregos das cadeias afetadas. O Rio tem vantagem logística, energia e capacidade industrial, mas precisa reduzir a dependência de poucos mercados.
A tarifa foi decidida em Washington, mas seus efeitos serão medidos aqui. A resposta fluminense deve ser menos improviso e mais informação, negociação e diversificação.