Niterói amplia coleta seletiva, mas recicláveis ainda são 5,1% do total

Foto: gerada por IA

Cidade expande equipamentos e ferramentas de localização, enquanto coleta seletiva permanece como parcela pequena dos resíduos recolhidos

Niterói vem ampliando sua estrutura de coleta seletiva com novos contêineres, Pontos de Entrega Voluntária e ferramentas para localizar os locais de descarte. Apesar dos avanços, os materiais recicláveis representaram apenas 5,1% do volume total recolhido pela Companhia de Limpeza de Niterói em 2025, o que mostra que a expansão física ainda precisa ser acompanhada por maior participação da população.

Segundo dados divulgados pela prefeitura, a Clin recolheu aproximadamente 6,6 mil toneladas de recicláveis no ano passado. O município informou ainda que, a partir de 2026, pretende contabilizar também o material coletado por empresas privadas que atuam na cidade, o que deverá oferecer um retrato mais completo da reciclagem local.

Novos pontos ampliam opções de descarte

A rede municipal utiliza diferentes modalidades de coleta. Além do recolhimento porta a porta, moradores podem usar Pontos de Entrega Voluntária, contêineres semienterrados conhecidos como moloks e unidades ligadas ao programa Recicla Niterói.

Os moloks são instalados principalmente em áreas onde caçambas tradicionais apresentam dificuldades operacionais. Os equipamentos são fechados, reduzem a entrada de água e dificultam o acesso de animais aos resíduos. As cores identificam a destinação: normalmente, o marrom recebe lixo orgânico e o azul é reservado aos materiais recicláveis secos.

Em junho, quatro novos equipamentos foram instalados nas comunidades do Bonfim e de Santo Cristo, no Fonseca. Com a ampliação, o programa Clin Comunidade Sustentável passou a atender 18 comunidades e aproximadamente 50 mil moradores, segundo a administração municipal.

Os Pontos de Entrega Voluntária recebem materiais que não devem ser descartados junto ao lixo comum. Dependendo da unidade, podem ser entregues papel, plástico, vidro, metal, óleo de cozinha, pneus, livros, roupas e equipamentos eletrônicos.

Mapa mostra locais de reciclagem

Para facilitar a localização dos pontos, a Clin lançou em maio um mapa interativo de descarte e reciclagem. A ferramenta apresenta endereços, bairros e rotas até PEVs, moloks e unidades do Recicla Niterói.

O sistema busca resolver um problema recorrente: moradores interessados em separar resíduos nem sempre sabem onde entregar determinados materiais. Segundo a Clin, a divulgação dos locais é necessária para aumentar o uso da estrutura já disponível.

A companhia também mantém atendimento pelos telefones 0800 367 9100 e (21) 99753-1952, este último com WhatsApp. Os canais podem ser utilizados para obter informações sobre coleta, descarte e funcionamento dos serviços.

Estrutura não garante participação

A instalação de equipamentos representa avanço, mas não assegura, por si só, o crescimento da reciclagem. Para que o material seja reaproveitado, o morador precisa separar corretamente os resíduos, respeitar o tipo aceito em cada ponto e evitar que alimentos, líquidos ou rejeitos contaminem papel, plástico, vidro e metal.

A taxa de 5,1% divulgada pela prefeitura indica que a maior parte dos resíduos recolhidos ainda segue pelo sistema convencional. Por isso, a expansão dos pontos precisa ser acompanhada por educação ambiental, divulgação frequente e publicação de metas que permitam avaliar os resultados.

Em 2025, o setor de sustentabilidade da Clin realizou 142 ações de conscientização. O projeto Coleta Seletiva nas Escolas alcançou 78 unidades municipais, 1.300 professores e mais de 11 mil alunos, conforme balanço da companhia.

A prefeitura informou que pretende atender toda a rede municipal de ensino com ações de educação ambiental até o final de 2026. As atividades explicam a separação dos materiais, o tempo de decomposição e os impactos do descarte inadequado.

Resultados precisam ser detalhados

Para medir a eficiência da política, será necessário acompanhar não apenas o número de equipamentos instalados, mas também o volume recolhido em cada região, a qualidade do material separado e a quantidade que realmente segue para reaproveitamento.

A inclusão dos resíduos coletados por empresas privadas pode elevar o percentual registrado oficialmente. Ainda assim, a mudança metodológica precisa ser explicada com clareza para permitir comparações entre os anos.

Também seria importante divulgar metas anuais de crescimento, resultados por bairro e informações sobre a destinação final. Esses dados ajudariam a identificar áreas com baixa adesão e orientar novas campanhas.

Niterói ocupa há dez anos a primeira colocação estadual no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana, segundo a prefeitura. O reconhecimento considera fatores como limpeza urbana, impacto ambiental e participação da sociedade. Manter esse desempenho, porém, exige avançar também na redução do lixo enviado aos aterros e no aproveitamento dos materiais recicláveis.

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