Candidato do PL estima gasto adicional de R$ 1,6 bilhão; legislação estadual já autoriza quadro de até 60.448 integrantes na corporação
O candidato do PL ao Governo do Rio, Douglas Ruas, afirmou nesta terça-feira (25) que pretende elevar para 60 mil o número de policiais militares em atividade no estado caso seja eleito. A proposta foi apresentada durante entrevista ao jornalista Cláudio Dantas e posteriormente divulgada pela assessoria da campanha.
Ruas criticou a política de segurança adotada no Rio nos últimos anos e defendeu aumento da presença policial nas ruas como uma das mudanças necessárias para enfrentar a criminalidade.
“A minha crítica não é ao governo anterior, é a todos os outros. Estamos trabalhando com a mesma política de segurança desde 2009”, afirmou o candidato durante a entrevista.
A declaração sobre a política adotada desde 2009 também foi registrada pela publicação de Cláudio Dantas sobre a entrevista. Ruas relacionou sua crítica ao Sistema Integrado de Metas, criado naquele período, e afirmou que pretende rever o modelo de segurança do estado.
Quadro autorizado já supera 60 mil
Ao apresentar a proposta, Ruas afirmou que a Polícia Militar possui atualmente cerca de 46 mil agentes na ativa e classificou o número como insuficiente diante das necessidades do estado.
Dados disponíveis no próprio site da Polícia Militar, porém, mencionam aproximadamente 44 mil policiais militares ativos atendidos pela Diretoria de Militares da Ativa. A diferença mostra que o número efetivamente em serviço pode variar conforme o critério e a data de contabilização.
Há ainda uma distinção importante entre efetivo autorizado por lei e quantidade de policiais efetivamente na ativa.
Desde dezembro de 2025, a legislação estadual já estabelece um efetivo geral de 60.448 integrantes para a PMERJ. A Lei Estadual nº 11.041/2025 ampliou formalmente o quadro previsto para a corporação, incluindo 37.486 vagas para soldados, além dos postos de oficiais, sargentos, cabos e demais quadros.
Na prática, portanto, a promessa apresentada por Ruas não exigiria necessariamente elevar o limite legal para 60 mil policiais. O principal desafio seria aproximar o efetivo real do número de vagas já autorizado pela legislação, por meio de concursos, formação, nomeações e reposição das saídas da corporação.
Candidato estima impacto de R$ 1,6 bilhão
Segundo Ruas, sua equipe calcula que alcançar a marca de 60 mil policiais representaria um custo adicional de aproximadamente R$ 1,6 bilhão para o Estado do Rio.
Até o momento, a campanha não apresentou junto ao material enviado à redação uma memória de cálculo detalhando salários, encargos, formação, equipamentos e demais despesas consideradas para chegar a esse valor. Por isso, a estimativa é apresentada como cálculo do próprio candidato.
A proposta também foi repercutida nesta terça-feira pelo Diário do Rio, que registrou a promessa de ampliar o efetivo de aproximadamente 46 mil para 60 mil policiais e o custo estimado de R$ 1,6 bilhão.
Para Ruas, a execução dependeria de uma mudança nas prioridades orçamentárias do governo.
“A gente vê que tem dinheiro para camarote na Sapucaí e para show, então tem dinheiro para colocar mais policiais nas ruas. Se for prioridade do governador, é possível e será a minha”, declarou.
Ampliação depende de formação e ingresso
O preenchimento do quadro da Polícia Militar não ocorre imediatamente após uma decisão administrativa. Novos policiais precisam passar por concurso público, etapas de seleção e curso de formação antes de ingressarem nas unidades operacionais.
O estado vem realizando novas incorporações para recompor o efetivo. Ao mesmo tempo, aposentadorias, desligamentos e outras formas de saída fazem com que o número de policiais ativos permaneça abaixo do limite previsto em lei.
A proposta apresentada por Douglas Ruas passa, portanto, por um objetivo mensurável: fazer com que uma corporação que hoje tem aproximadamente 44 mil a 46 mil policiais ativos, conforme as diferentes referências disponíveis, se aproxime das 60.448 vagas já previstas na legislação estadual.