Niterói tenta transformar a retomada da indústria naval em uma nova rodada de contratos, investimentos e empregos. Representantes do setor se reuniram nesta segunda-feira (14) com a Petrobras e a Transpetro para discutir a participação dos estaleiros da cidade nas próximas encomendas da cadeia de petróleo, gás e apoio offshore.
O encontro ocorreu na sede da Petrobras e reuniu a presidente da estatal, Magda Chambriard, o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, executivos do setor naval e representantes do município. A discussão teve como foco a capacidade instalada em Niterói e as condições para que empresas locais disputem uma parcela maior das demandas previstas para os próximos anos.
A movimentação acontece em um momento de retomada das encomendas nacionais. A Petrobras informou que seu programa de renovação e ampliação da frota envolve 44 embarcações, entre unidades já contratadas e processos de licitação, com investimentos estimados em R$ 23 bilhões. O movimento abre espaço para estaleiros brasileiros, mas não significa que contratos específicos para Niterói já estejam garantidos.
Dragagem aumenta capacidade dos estaleiros
Um dos principais ativos de Niterói nessa disputa é a dragagem do Canal de São Lourenço. Segundo a Prefeitura de Niterói, a intervenção já recebeu cerca de R$ 162,5 milhões em recursos municipais e ampliou o calado de aproximadamente sete para 11 metros. A mudança permite a movimentação de embarcações maiores e aumenta a capacidade operacional das áreas industriais e portuárias da cidade.
A cidade se prepara agora para uma segunda etapa da intervenção. A expectativa do setor é que a combinação entre acesso marítimo, infraestrutura já instalada e novas encomendas ajude Niterói a recuperar parte do espaço perdido durante os anos de retração da indústria naval.
Estaleiro Mauá amplia quadro de trabalhadores
Os efeitos da retomada já aparecem no emprego. De acordo com dados apresentados no encontro, o Estaleiro Mauá tinha entre 500 e 600 trabalhadores em 2024 e atualmente reúne cerca de 1.500 funcionários. A expansão é tratada pelo setor como um sinal de recuperação da atividade industrial na região.
Magda Chambriard defendeu o aproveitamento da capacidade instalada no país e ressaltou a importância de ampliar a presença do Rio de Janeiro na nova fase da indústria naval. A proximidade de Niterói com a Bacia de Santos e a concentração de estaleiros, empresas de logística e fornecedores especializados são fatores considerados estratégicos.
Apesar do ambiente favorável, a disputa pelos contratos será nacional e depende de licitações, condições comerciais, capacidade técnica e regularidade das empresas. Por isso, o encontro desta semana deve ser entendido como parte de uma articulação para ampliar a competitividade de Niterói, e não como anúncio de contratos já fechados.
O FLUMINENSE acompanha os desdobramentos da retomada do setor naval e os impactos sobre emprego, investimentos e atividade econômica na cidade.