Dor, inchaço, aumento da temperatura e alteração da cor em apenas uma das pernas podem ser sinais de trombose venosa profunda. A condição acontece quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nos membros inferiores, e dificulta a circulação do sangue.
O alerta ganha destaque em 16 de setembro, Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose. A data foi instituída pela Lei 12.629, de 2012, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a doença. O Ministério da Saúde destaca dor, calor, vermelhidão e inchaço entre os sinais que podem aparecer na trombose venosa profunda.
“Nem toda dor na perna é trombose, mas a combinação de dor, inchaço e mudança de temperatura ou coloração, principalmente em um único lado, precisa ser avaliada. O risco aumenta quando esses sinais aparecem após uma cirurgia, internação ou período prolongado de imobilidade”, explica Roberto Rangel, médico de Família e Comunidade, professor universitário e presidente da RioSaúde.
O principal perigo ocorre quando parte do coágulo se desprende e chega aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar. Falta de ar repentina, dor no peito, aceleração dos batimentos, tontura, desmaio ou tosse com sangue exigem atendimento imediato.
Quem apresenta maior risco
A trombose pode atingir diferentes pessoas, mas alguns fatores aumentam a possibilidade de formação de coágulos. Entre eles estão cirurgias de grande porte, internações, imobilização, câncer, gravidez, período após o parto, idade avançada e histórico pessoal ou familiar de trombose.
O uso de medicamentos com estrogênio, como determinados anticoncepcionais e terapias hormonais, também pode elevar o risco. A avaliação deve considerar a combinação de fatores, e não apenas uma característica isolada.
“Não é correto dizer que toda pessoa que usa anticoncepcional terá trombose. O risco precisa ser analisado individualmente, levando em conta histórico familiar, tabagismo, obesidade, idade, doenças associadas e o tipo de medicamento utilizado”, esclarece Rangel.
Quem já apresentou trombose anteriormente precisa informar essa condição em consultas, internações e avaliações antes de cirurgias. O histórico pode mudar as medidas preventivas indicadas pela equipe.
Viagens longas exigem cuidados
Permanecer muitas horas sentado reduz o movimento das pernas e pode dificultar o retorno do sangue. O risco merece atenção especialmente em viagens prolongadas, sobretudo quando a pessoa já apresenta outros fatores associados.
Durante o trajeto, a recomendação é movimentar os pés e as pernas regularmente e, quando for possível e seguro, levantar-se para caminhar. Roupas muito apertadas também devem ser evitadas.
Meias de compressão e medicamentos anticoagulantes não devem ser usados por conta própria. Essas medidas podem ser indicadas em algumas situações, mas dependem de avaliação profissional porque também apresentam riscos e contraindicações.
“A prevenção não é igual para todos. Para a maioria das pessoas, movimentar-se durante a viagem é uma medida importante. Quem já teve trombose, passou por cirurgia recentemente ou reúne outros fatores de risco deve conversar com um médico antes de viajar”, orienta Rangel.
Atenção após cirurgias e internações
Cirurgias, traumatismos e períodos de internação podem aumentar o risco de trombose por causa da redução da mobilidade, de lesões nos vasos e de alterações na coagulação.
A prevenção pode incluir mobilização precoce, exercícios orientados, dispositivos de compressão e medicamentos anticoagulantes. A escolha depende do procedimento realizado, das condições clínicas e do risco de sangramento.
Depois da alta, o paciente deve seguir as orientações recebidas e observar alterações nas pernas ou na respiração. Não é recomendável interromper ou prolongar o uso de anticoagulantes sem orientação.
Como o diagnóstico é feito
A avaliação considera os sintomas, o exame físico e os fatores de risco. Quando existe suspeita, o profissional pode solicitar exames como a ultrassonografia com Doppler e, em situações específicas, testes de sangue e outros métodos de imagem.
Não é possível confirmar ou descartar trombose apenas observando a perna em casa. Os sintomas também podem ser confundidos com lesões musculares, infecções e outros problemas circulatórios.
“Na dúvida, principalmente quando há fatores de risco, o melhor caminho é procurar atendimento. A avaliação precoce permite iniciar o tratamento e reduzir a possibilidade de complicações”, afirma Rangel.
Quando o caso é uma emergência
A pessoa deve procurar uma unidade de saúde diante de inchaço repentino, dor persistente, calor ou alteração de cor em uma das pernas, especialmente se tiver passado por cirurgia, internação ou imobilização recente.
Falta de ar súbita, dor no peito, desmaio, confusão, batimentos acelerados ou tosse com sangue podem indicar embolia pulmonar. Nesses casos, é necessário buscar atendimento de emergência ou acionar o Samu pelo telefone 192.
“A trombose pode começar com um sintoma que parece simples. Reconhecer os sinais, conhecer os próprios fatores de risco e procurar atendimento no momento certo são medidas que podem evitar uma complicação grave”, conclui Roberto Rangel.