O Rio de Janeiro passou a contar com uma política estadual voltada à integração e ao desenvolvimento de trilhas. O Programa Estadual de Trilhas do Rio de Janeiro, o Protrilhas/RJ, foi instituído pelo Decreto nº 50.491, de 23 de setembro de 2026 e terá coordenação do Instituto Estadual do Ambiente, o Inea.
A proposta é reunir trilhas públicas e privadas em uma rede articulada ao Sistema Nacional de Trilhas, com regras para planejamento, implantação, gestão, sinalização e monitoramento. Entre os objetivos estão a conservação da biodiversidade, a recuperação ambiental, o turismo de natureza, a educação ambiental e a integração entre municípios e regiões turísticas.
O principal eixo estratégico será a Trilha de Longo Curso Volta ao Rio, projetada para alcançar cerca de 3,5 mil quilômetros. A iniciativa deverá conectar mais de 100 unidades de conservação e atrativos turísticos em dezenas de municípios, reunindo percursos de caminhada, cicloturismo e atividades aquáticas não motorizadas.
Para o Sul Fluminense e a Costa Verde, a estrutura tem impacto direto. Entre os pontos associados ao projeto estão o Parque Nacional do Itatiaia, a Serra da Bocaina, em Paraty, e a Volta da Ilha Grande. A integração pretende aproximar áreas já conhecidas por visitantes de outros percursos e distribuir melhor o fluxo turístico pelo território fluminense.
O decreto, porém, não significa que todos os 3,5 mil quilômetros estejam liberados ou prontos para uso. O traçado definitivo, a governança, os critérios técnicos, a sinalização, a gestão e o monitoramento da Volta ao Rio ainda deverão ser detalhados em ato próprio. A implantação ocorrerá progressivamente, reunindo percursos existentes e novos trechos necessários à formação da rede.
Também permanecem valendo as regras específicas das unidades de conservação. No caso de propriedades particulares, a inclusão de uma trilha no programa não cria automaticamente direito de acesso. Autorizações, anuências e demais exigências legais continuam obrigatórias.
Para cidades como Itatiaia e Paraty e para destinos da Costa Verde, o próximo passo será acompanhar como os percursos serão incorporados à rede e quais medidas efetivas serão adotadas para infraestrutura, sinalização, segurança e gestão dos visitantes.