Inflação sobe e consumo entra no teste
Por: Wellyngton Inácio
O teste agora chegouEmprego ainda sustenta a renda, mas avanço da inflação aumenta a pressão sobre famílias, comércio e pequenos negócios no Rio. ao bolso
A inflação voltou ao centro da economia justamente quando o mercado de trabalho ainda funciona como principal defesa das famílias. Na semana passada, o sinal dominante era a perda de força da atividade com emprego resistente. Agora, o custo de vida acrescenta pressão a essa equação.
Para o cidadão fluminense, isso significa que a renda continua sustentando o consumo, mas precisa absorver preços que voltaram a acelerar em itens difíceis de evitar. O risco é esse aperto reduzir, aos poucos, a capacidade de compra.
Energia puxa a alta
O IPCA de setembro subiu 0,82%, depois da queda registrada em agosto, e acumulou 4,58% em 12 meses.
O movimento foi disseminado, mas a conta de luz teve peso decisivo: a energia elétrica residencial avançou 7,98% no mês.
Esse tipo de aumento chega rápido ao orçamento doméstico e também aos pequenos negócios, porque encarece desde a casa até padaria, mercado, restaurante, salão e qualquer atividade que dependa de refrigeração, iluminação ou equipamentos.
Dia das Crianças mostra inflação desigual
Material recebido pela redação da Universidade Veiga de Almeida ajuda a mostrar outra característica importante: a inflação não pesa da mesma forma em todas as escolhas.
No acumulado de 12 meses, passagens aéreas subiram 42,52%, enquanto os brinquedos avançaram 2,62%.
A diferença mostra por que olhar apenas a inflação média pode esconder a experiência real de cada família. Quem pretende viajar sente uma pressão muito maior do que quem concentra o gasto em presentes tradicionais.
Para as compras do Dia das Crianças, portanto, pesquisa de preços e escolha do tipo de presente podem produzir diferenças relevantes no orçamento.
O emprego continua segurando
Na análise da semana passada, mostramos que o emprego ainda funcionava como principal amortecedor diante da perda de ritmo da indústria e da confiança.
Essa defesa continua existindo, mas ficou mais exigida.
Se a renda permanece estável enquanto energia, alimentação, transporte e lazer avançam, sobra menos espaço para consumo discricionário e pagamento de dívidas.
No Rio de Janeiro e na Região Metropolitana, esse efeito aparece rapidamente no comércio de bairro e nos serviços.
Consumo passa a exigir mais seleção
O sinal desta semana não é de paralisia, mas de seleção.
Famílias precisam comparar preços e preservar margem no orçamento. Empresas devem acompanhar ticket médio, vendas e fluxo de caixa para identificar se o consumidor começa a reduzir compras ou trocar produtos mais caros por alternativas mais acessíveis.
O poder público também precisa acompanhar se a inflação passa a reduzir o efeito positivo do emprego sobre consumo e arrecadação.
A economia fluminense ainda tem defesa. O problema é que essa defesa passou a custar mais caro.