A expansão do Espaço Empreender Mulher, no Centro de Niterói, acrescentou sala multimídia, laboratório maker de moda criativa, estúdio audiovisual e ambiente multiuso com computadores e internet gratuitos. A estrutura foi ampliada pela Prefeitura com o discurso de fortalecer a autonomia econômica feminina, mas o principal indicador ainda não foi apresentado: quantas mulheres transformaram a formação recebida em renda efetiva.
Segundo a Prefeitura de Niterói, o equipamento mantém estações de trabalho, sala de reuniões, área infantil e o COLAB, espaço de exposição de produtos e serviços. A expansão inclui novas áreas voltadas a capacitação, produção de conteúdo e desenvolvimento de negócios.
O programa Mulher Líder, que funciona no espaço, já teve 11 turmas e qualificou mais de 600 mulheres em temas como liderança, gestão, tecnologia, marketing, finanças e desenvolvimento pessoal. O número mostra alcance, mas não mede resultado econômico.
Se a política pública pretende ampliar independência financeira, a administração precisa informar quantas participantes abriram negócio, quantas já empreendiam e aumentaram faturamento, quantas passaram a gerar renda regular e quantas seguem ativas meses depois da capacitação.
Também faltam indicadores de uso do próprio equipamento, como número mensal de atendimentos, ocupação das estações, agendamentos, cursos realizados, custo de manutenção e eventual demanda reprimida.
O Espaço Empreender Mulher integra ainda a rede municipal voltada à autonomia de mulheres e ao enfrentamento à violência. Isso aumenta a necessidade de medir impacto. Acesso a computador, salas e capacitação pode ser importante, mas não substitui a comprovação de renda, inserção profissional e continuidade dos negócios apoiados.
Niterói ampliou a estrutura. Agora precisa publicar metas e resultados verificáveis. Política de empreendedorismo não deve ser avaliada apenas pelo número de ambientes inaugurados, mas pelo efeito produzido na vida econômica das beneficiárias.