O ator britânico Patrick Stewart, conhecido mundialmente por interpretar o Professor Charles Xavier na franquia X-Men e o capitão Jean-Luc Picard em Star Trek, morreu nesta quarta-feira (28), aos 86 anos, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada por sua representante, Kelly Bush Novak, nesta quinta-feira (29).
Segundo o comunicado divulgado pela família, Stewart morreu em casa, acompanhado da esposa, Sunny Ozell, após enfrentar a doença de Alzheimer e a demência com corpos de Lewy, condição neurodegenerativa que compromete funções cognitivas e motoras.
A notícia encerra uma trajetória de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão. Dono de uma voz inconfundível e de uma presença marcante, o ator conquistou gerações ao dar vida a personagens associados à liderança, à inteligência e à defesa da convivência entre diferentes povos.
Professor Xavier marcou gerações em X-Men
Para milhões de fãs, Patrick Stewart será sempre o Professor Charles Xavier, fundador da escola para jovens mutantes e líder dos X-Men.
O ator estreou no papel em X-Men, lançado em 2000, ao lado de Ian McKellen, intérprete de Magneto. A relação entre os personagens se tornou um dos pilares da franquia, marcada pelo confronto entre duas visões sobre a coexistência de humanos e mutantes.
Stewart retornou em diferentes produções, incluindo X-Men 2, X-Men: O Confronto Final, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido e Logan, de 2017.
Neste último, protagonizou uma das interpretações mais emocionantes de sua carreira, apresentando um Xavier envelhecido e vulnerável, distante da figura de autoridade que havia marcado os primeiros filmes.
O ator voltou a interpretar o personagem em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, de 2022, ampliando sua ligação com o universo cinematográfico da Marvel.
De Shakespeare ao comando da Enterprise
Antes de conquistar Hollywood, Stewart já possuía uma sólida carreira teatral.
Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, na Inglaterra, integrou a Royal Shakespeare Company durante 14 anos, interpretando personagens de clássicos como Hamlet e Macbeth.
O reconhecimento internacional chegou em 1987, quando assumiu o papel do capitão Jean-Luc Picard em Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.
Durante sete temporadas, Stewart comandou a nave Enterprise e transformou Picard em um dos personagens mais respeitados da ficção científica. Seu estilo de liderança, fundamentado na diplomacia, na disciplina e na defesa de princípios éticos, ajudou a redefinir a imagem dos comandantes da franquia.
O sucesso levou o ator a participar de quatro filmes da série. Décadas depois, ele retornou ao personagem na produção Star Trek: Picard, encerrada em 2023.
Uma carreira além dos grandes sucessos
Embora tenha alcançado enorme popularidade no cinema e na televisão, Stewart nunca abandonou suas raízes no teatro.
Ao longo da carreira, atuou em produções de Shakespeare, Harold Pinter e Samuel Beckett. Também dividiu os palcos com Ian McKellen, amigo de longa data e companheiro de elenco nos filmes dos X-Men.
Em 2010, recebeu o título de cavaleiro da Ordem do Império Britânico, passando a ser oficialmente conhecido como Sir Patrick Stewart.
Fora das telas, também se destacou pelo trabalho em defesa de vítimas de violência doméstica, tema ligado às experiências que testemunhou durante a infância.
O legado de Patrick Stewart
A morte do ator representa uma perda significativa para o cinema, a televisão e o teatro.
Poucos artistas conseguiram estabelecer uma ligação tão duradoura com públicos de gerações diferentes. Para os admiradores de Star Trek, Stewart personificou o equilíbrio e a responsabilidade de um comandante. Para os fãs da Marvel, representou a esperança de convivência entre aqueles que, mesmo diferentes, poderiam compartilhar o mesmo mundo.
Sua capacidade de conferir humanidade a personagens de grande autoridade fez com que Charles Xavier e Jean-Luc Picard ultrapassassem os limites da ficção.
Patrick Stewart deixa a esposa, Sunny Ozell, e dois filhos, Sophia e Daniel. Seu legado permanece nos palcos, nas telas e na memória de milhões de espectadores que acompanharam sua trajetória.
Fontes: Associated Press e Los Angeles Times.