O início de 2026 trouxe um sinal claro de alerta para a economia fluminense. Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o estado do Rio de Janeiro registrou saldo negativo de 13.009 vagas formais em janeiro, resultado de 128.194 admissões contra 141.203 desligamentos. No mesmo período, o Brasil apresentou saldo positivo superior a 110 mil vagas, evidenciando que o Rio segue, neste momento, em direção oposta ao movimento nacional.

Embora um único mês não determine a tendência do ano, o dado expõe fragilidades estruturais. A economia fluminense permanece altamente concentrada no setor de Serviços, responsável por mais de 70% do PIB da capital, segundo o IBGE. Esse perfil garante absorção de mão de obra, mas também carrega limitações importantes, como menor remuneração média e maior rotatividade, o que compromete a estabilidade da renda e reduz o potencial de consumo.
Esse cenário se conecta diretamente ao segundo eixo crítico da economia atual: o custo do dinheiro no Brasil. Com a taxa básica de juros (Selic) ainda em patamar elevado, na faixa de 10,75% ao ano, o crédito ao consumidor permanece restritivo. Em polos comerciais como o Centro de Niterói, São Gonçalo e o Alcântara, lojistas já percebem queda nas vendas a prazo, especialmente em produtos de maior valor agregado.
Na ponta final, o impacto é ainda mais severo. Operações de crédito ao consumidor podem facilmente ultrapassar 50% ao ano e, em modalidades mais caras, como o rotativo do cartão, superar 300% ao ano. Isso encarece significativamente o valor das parcelas e afasta o consumidor de compras maiores, concentrando o consumo no essencial.
Forma-se, assim, um ciclo econômico desafiador. A perda de mais de 13 mil empregos formais em um único mês reduz a renda disponível, enquanto os juros elevados limitam o consumo. O resultado é um comércio mais pressionado, com menor capacidade de reação. Produtos como eletrodomésticos, móveis e vestuário de maior valor permanecem mais tempo nas vitrines.
O pequeno e médio empresário fluminense sente esse impacto de forma imediata. Sem o poder de escala das grandes redes e enfrentando concorrência crescente do comércio eletrônico, o lojista precisa recorrer a promoções e condições próprias para manter o fluxo de caixa. No entanto, essa estratégia tem custo: reduz margens, limita investimentos e aumenta o risco operacional, transformando o desafio de crescer em um esforço constante para fechar o mês no azul.
Como complemento, há ainda um fator silencioso, mas relevante: o custo do diesel. Com o Brasil fortemente dependente do transporte rodoviário, o combustível impacta diretamente o frete e, consequentemente, o preço final dos produtos. Quando o diesel sobe, o custo chega rapidamente às prateleiras, pressionando desde alimentos até bens duráveis e ampliando o peso no orçamento das famílias.
Diante desse contexto, o papel das políticas públicas torna-se ainda mais relevante. O Estado do Rio de Janeiro já enfrenta limitações fiscais importantes, com déficit projetado superior a R$ 18 bilhões, o que reduz a capacidade de intervenção direta. Ainda assim, há espaço para medidas estruturantes, como a ampliação do microcrédito produtivo, estímulo à formalização e investimento consistente em qualificação profissional.
O início de 2026 deixa uma mensagem clara: os números precisam ser interpretados além da superfície. Mais do que recuperar vagas de emprego, o desafio será garantir renda, acesso ao crédito e capacidade de consumo.
No fim, é no balcão — e não apenas nas estatísticas — que se revela a verdadeira temperatura da economia fluminense.
Por: Wellyngton Inácio








