Prefeitura demole o histórico castelo de areia de 30 anos na Praia do Pepê

A Prefeitura do Rio de Janeiro executou nesta segunda feira uma operação de demolição que encerrou três décadas de história na Praia do Pepê, na Barra da Tijuca. A estrutura de areia que servia como residência e ateliê para o artista Márcio Mizael, amplamente conhecido como Rei Castelinho, foi removida sob a coordenação da Subprefeitura da Barra e da Secretaria de Ordem Pública. A decisão do governo municipal interrompeu abruptamente uma trajetória iniciada há trinta anos, transformando em entulho o que já era consolidado pela população local e pelos visitantes como um ponto turístico informal e um marco da paisagem urbana da Zona Oeste.

A justificativa técnica apresentada pelo poder público baseou se em vistorias da Defesa Civil que apontaram supostos riscos de desabamento devido à ausência de elementos permanentes de sustentação. No entanto, a medida gerou imediata indignação entre defensores do patrimônio cultural e frequentadores da região, que viam na obra uma expressão artística legítima e um símbolo da identidade do bairro. Durante a ação, agentes municipais desmontaram a construção que abrigava pertences pessoais do artista, incluindo uma biblioteca particular, sob o olhar de impotência do morador que dedicou a maior parte de sua vida adulta à manutenção daquele monumento efêmero mas resiliente ao tempo.

O artista relatou que a estrutura possuía utilidade pública ao atrair milhares de pessoas e fomentar o interesse cultural na orla carioca, questionando a falta de apoio institucional para a regularização ou preservação do espaço em vez da destruição sumária. Embora a administração municipal alegue ter oferecido acolhimento institucional e aviso prévio, a remoção forçada de um ícone que resistiu a trinta anos de marés e intempéries é vista por críticos como um ato de excessivo rigor administrativo. A destruição do castelo de areia representa a perda de um referencial histórico que, para muitos, simbolizava a resistência da arte livre em meio ao crescimento urbano desordenado da metrópole. O episódio levanta discussões profundas sobre a sensibilidade do poder executivo para com as tradições locais que, embora não registradas oficialmente, compõem a alma da cidade. A prefeitura reafirmou que agiu em conformidade com as normas de segurança vigentes, mas o impacto social da decisão permanece como uma mancha na relação entre a gestão municipal e as manifestações culturais espontâneas do Rio de Janeiro.

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