O Mapa Autismo Brasil, primeiro levantamento sociodemográfico nacional sobre pessoas com Transtorno do Espectro Autista, revela que o acesso a diagnóstico e terapias permanece restrito. A pesquisa, conduzida pelo Instituto Autismos, ouviu 23.632 participantes entre março e julho de 2025, incluindo autistas e responsáveis. Apenas 20,4% dos diagnósticos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde, enquanto 55,2% ocorreram na rede privada.
O estudo também indica que somente 15,5% dos entrevistados realizam terapias pelo SUS. Entre os que dependem da rede pública, o acesso a psicoterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e ABA é significativamente menor em comparação com planos privados. A carga horária semanal média de terapias é baixa, concentrando-se em até duas horas semanais para mais da metade dos entrevistados, apesar das recomendações internacionais de maior intensidade.
A pesquisa mostra ainda que a maior parte dos autistas é jovem, com 72,1% até 17 anos, e que a presença escolar não garante inclusão, pois 39,9% não recebem apoio especializado. Entre adultos autistas, 29,9% estão desempregados ou sem renda, e apenas 21,1% trabalham como servidores públicos. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas que ampliem o diagnóstico precoce, o acesso a especialistas e a oferta de terapias contínuas e multidisciplinares em todo o país.