Dados divulgados pelo IBGE mostram desaceleração frente ao mês anterior; Alimentação e Saúde são as principais pressões, enquanto passagens aéreas trazem alívio.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, registrou variação de 0,16% em março de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE. O índice representa uma desaceleração significativa em relação aos 0,83% registrados em fevereiro, quando o impacto do grupo Educação costuma elevar a média nacional.
Com este resultado, a inflação acumula alta de 1,42% no ano. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice atingiu 3,93%, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Comparativo de Indicadores (Março)
| Indicador | Variação Mensal | Acumulado 12 Meses |
| IPCA (Geral) | 0,16% | 3,93% |
| INPC (Renda Baixa) | 0,19% | 3,40% |
| IPCA-15 (Prévia) | 0,36% | 4,14% |
Grupos e Impactos: O que subiu e o que desceu
Ao contrário do rascunho anterior (que citava altas expressivas em combustíveis de 2022), o cenário de 2026 mostra o grupo Transportes com deflação de -0,33%, puxado majoritariamente pela queda nas passagens aéreas (-9,14%).
Os grupos que evitaram uma queda maior do índice geral foram:
- Alimentação e Bebidas (0,53%): Principal impacto positivo (0,11 p.p.). O destaque ficou para a alimentação no domicílio, com altas expressivas na cebola e em frutas sazonais.
- Saúde e Cuidados Pessoais (0,43%): Influenciado pelos reajustes em produtos farmacêuticos e itens de higiene pessoal.
“Embora o índice cheio tenha vindo abaixo das expectativas de alguns analistas, a inflação de serviços e o núcleo da inflação ainda mostram resiliência, o que demanda cautela na política monetária”, observa o corpo técnico do Banco Central em análise recente.
Visão das Instituições Financeiras
A convergência dos dados coletados nas 10 instituições mais relevantes aponta para o seguinte consenso:
- Banco Central (Focus): As expectativas para o fechamento de 2026 foram mantidas em torno de 3,50%, refletindo uma trajetória de ancoragem das metas.
- FGV (IBRE): Destaca que o IGP-M (inflação do aluguel) segue trajetórias distintas devido ao peso das commodities, mas o IPCA de março confirma o arrefecimento dos preços industriais.
- IPEA: Ressalta que a inflação para as classes de renda muito baixa (mensurada pelo INPC) foi ligeiramente superior à média devido ao peso dos alimentos.
- XP e BTG Pactual: Apontam que a deflação em transportes foi “o fiel da balança” para o resultado benigno do mês.
Metodologia e INPC
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que foca em famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, fechou março com alta de 0,19%. O acumulado em 12 meses (3,40%) está abaixo do IPCA geral, indicando que, no momento, a cesta de consumo das famílias mais pobres está sofrendo menos pressão do que a das classes mais altas (1 a 40 salários), que consomem mais serviços.