A nova etapa da Operação Pharmakon, desta vez em Icaraí, reforça um dado preocupante para
Niterói: clínicas clandestinas seguem encontrando espaço para operar em áreas valorizadas da
cidade, mesmo sob um aparato municipal que afirma atuar de forma integrada. Segundo a prefeitura,
o estabelecimento interditado funcionava sem alvará, sem licença sanitária e sem responsável.
técnico habilitado.
A fiscalização encontrou descarte irregular de material bioquímico, caixa de perfurocortantes transbordando e produtos sem comprovação de procedência, entre eles toxina botulínica, ácido hialurônico e anestésico local.
A própria administração informou ainda que a clínica mudava de endereço com frequência para dificultar o rastreamento e escapar da fiscalização. O caso pesa porque não revela apenas uma irregularidade pontual, mas uma falha continuada de vigilância sobre um setor de alto risco. Em vez de encerrar a discussão, a interdição amplia a cobrança por monitoramento mais preventivo, inteligência mais ágil e resposta menos tardia diante de
serviços que oferecem risco direto à saúde.
Quando a própria prefeitura relata tentativa de ocultação
de produtos e uso de espaços sublocados para atendimento, o debate deixa de ser setorial e passa a
tocar a eficiência do controle urbano e sanitário. Em uma cidade com mercado consumidor aquecido
para esse tipo de serviço, a repetição de casos assim sugere que a reação do poder público ainda
corre atrás do problema, em vez de antecipá-lo.