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O boto-cinza, espécie que ilustra o brasão da cidade do Rio de Janeiro há 130 anos, enfrenta uma ameaça silenciosa em seu último reduto de fartura. Pesquisas conduzidas pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da UFRJ revelam que a intensa atividade humana na Baía de Sepetiba empurra esses animais para um ponto crítico. Segundo os dados científicos, 90% das áreas adequadas para a vida dos botos sobrepõem-se a zonas de tráfego portuário e atividade industrial, eliminando qualquer possibilidade de refúgio seguro para a reprodução da espécie.
O monitoramento realizado há mais de 20 anos documenta uma transformação drástica no ecossistema local. O excesso de ruído proveniente de motores de navios prejudica a comunicação dos animais, resultando em uma queda de 85% na taxa de assobios. Além do impacto sonoro, a degradação dos manguezais para expansão de portos compromete a base da cadeia alimentar. Com a escassez de peixes e a contaminação por metais pesados, a saúde dos botos está fragilizada, como demonstrou o surto de morbilivírus que vitimou 200 indivíduos entre 2017 e 2018. Para especialistas do ECoMAR, a preservação do boto-cinza exige a fiscalização rigorosa dos efluentes e o controle do crescimento industrial desordenado na região.








