Com o tema “E o Rio de Janeiro continua indígena!”, feira promovida pela 2ª CRE terá contação de histórias, rodas de conversa, oficinas, exposição de trabalhos escolares e atividades com crianças
A 3ª Feira Literária Antirracista, a FLIAR, ocupa nesta sexta-feira, 14 de agosto, o Museu Nacional dos Povos Indígenas, em Botafogo, com uma programação que coloca literatura, ancestralidade, educação e presença indígena no centro do encontro.
Das 9h30 às 16h, crianças, professores, pesquisadores, escritores e artistas participam de atividades reunidas sob o tema “E o Rio de Janeiro continua indígena!”.
Idealizada pela professora Neusa Rodrigues, que lidera uma pasta ligada à Gerência de Relações Étnico-Raciais, a GERER da Gerência de Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (GED/SME-RJ), a feira não se limita a uma sequência de palestras.
A proposta combina produção das escolas, contação de histórias, formação de professores, arte e contato direto das crianças com diferentes formas de construir e transmitir memória.
Crianças também ocupam o centro da feira
A abertura está prevista para as 9h30, com o Coral Canta Piá, projeto pedagógico que trabalha voz, corpo, escuta e convivência a partir de repertórios relacionados às culturas afro-brasileiras e indígenas.
Segundo o material da programação, o grupo atua no Rio de Janeiro desde 2014. Criado inicialmente como Coral Palavra Cantada RJ, em parceria com o Centro da Música Carioca Artur da Távola, passou a adotar oficialmente o nome Canta Piá em 2023.
Outro eixo importante será a exposição dos trabalhos desenvolvidos nas unidades escolares desde fevereiro.
A visitação está prevista das 10h às 16h, com um diferencial: crianças das próprias unidades participantes atuarão na mediação dos trabalhos.
A presença infantil também aparece nas atividades de literatura oral. Patrícia Braga, professora da rede municipal, participa com contação de histórias para as crianças.
Educadora física por formação, com pós-graduação em Educação Física na Educação Infantil, ela atua há mais de 30 anos nas redes privada e municipal.
Também participa Luciana Tupinambá, pedagoga e pós-graduada em Educação Infantil, professora da Educação Básica da Rede Municipal do Rio e integrante da coordenação do coletivo ligado à 2ª CRE.
Na programação, ela conduz contação de histórias, incluindo narrativas ligadas ao Boi.
Escritoras e pesquisadoras ampliam as vozes da programação
Entre as convidadas está Emiliana Marajoara, apresentada pela organização como contadora de histórias, escritora e pesquisadora da cultura do povo ribeirinho e da ancestralidade indígena da Amazônia.
Sua formação reúne diferentes campos. De acordo com o material de divulgação, Emiliana tem formação em Direito e Teatro pela Universidade Federal do Pará, formação técnica circense pela Escola Nacional de Circo, atuação como arte-educadora e curso de extensão em Línguas Indígenas Brasileiras pela UFRJ.
Luana Mendes leva para a feira o encontro entre literatura infantil e tradição oral. Professora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação do Rio, ela é contadora de histórias de inspiração griô e autora do livro Os Indígenas Existem?.
A programação prevê sua participação em roda de conversa com professores.
A historiadora Bianca França também integra o encontro. Professora doutora e pesquisadora, ela participa da programação relacionada à memória e à presença indígena.
Seu trabalho recente inclui pesquisas sobre Berta Ribeiro, antropóloga cuja produção contribuiu para ampliar o conhecimento sobre os povos e as culturas indígenas brasileiras.
Pesquisa histórica e formação de professores
A programação contará ainda com a professora doutora Lucimar Felisberto dos Santos, anunciada para uma roda de conversa com professores.
Historiadora e pesquisadora, Lucimar também é apresentada pela organização como integrante da comissão científica do Cais do Valongo.
A participação reforça o componente formativo da FLIAR. Mais do que apresentar livros ou atividades culturais, o encontro busca aproximar os profissionais da educação de discussões que possam continuar dentro das salas de aula.
Esse caráter pedagógico acompanha a própria origem da feira e a valorização do trabalho das salas de leitura e bibliotecas e a utilização da literatura como instrumento de reconhecimento da diversidade cultural.
Arte indígena também entra na programação
O artista visual indígena e arte-educador Felipe Costa integra a programação como assistente e monitor. O material divulgado pela organização prevê oficinas relacionadas aos povos originários e ao Bumba meu boi.
Sua presença amplia a proposta da feira para além da palavra escrita. Literatura, oralidade, artes visuais, música, corpo e experiência coletiva aparecem como diferentes caminhos para tratar das culturas indígenas com as crianças e os educadores.
Ao reunir essas linguagens, a FLIAR evita transformar o tema indígena em uma referência distante ou exclusivamente histórica. O próprio título desta edição aponta para outra direção: falar de uma presença que atravessa a formação do Rio de Janeiro e continua contemporânea.
Museu reforça relação entre memória e presente
A escolha do Museu Nacional dos Povos Indígenas como sede reforça essa proposta. Vinculada à Funai, a instituição trabalha com preservação e divulgação do patrimônio cultural dos povos indígenas e mantém sua sede na Rua das Palmeiras, 55, em Botafogo.
O endereço e o funcionamento do equipamento cultural são confirmados pelo próprio museu.
A programação da FLIAR prevê ainda visita à exposição permanente, com mediação de educador do museu.
Nesse encontro entre escola e instituição cultural está um dos elementos mais fortes da terceira edição. As crianças não chegam apenas como espectadoras.
Elas apresentam produções, contam o que aprenderam, fazem mediação e ocupam um espaço dedicado à memória indígena.
Com Emiliana Marajoara, Luana Mendes, Lucimar Felisberto dos Santos, Patrícia Braga, Bianca França, Luciana Tupinambá, Felipe Costa e o Coral Canta Piá, a programação ganha diferentes vozes e linguagens para tratar de um mesmo ponto: a presença indígena não está restrita aos livros de História.
Ela permanece na cultura, na literatura, na memória, na educação e na própria formação do Rio de Janeiro.
Evento
3ª Feira Literária Antirracista, FLIAR
Tema: “E o Rio de Janeiro continua indígena!”
Data: sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Horário: das 9h30 às 16h
Local: Museu Nacional dos Povos Indígenas
Endereço: Rua das Palmeiras, 55, Botafogo, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita, segundo a divulgação do evento