O Estado do Rio de Janeiro trava uma batalha decisiva no Supremo Tribunal Federal para garantir a sobrevivência de suas finanças e o respeito aos princípios da Constituição Federal. Na última quarta-feira, a Procuradoria Geral do Estado subiu à tribuna da corte para defender que os royalties do petróleo não são um brinde ou lucro comum, mas sim uma compensação obrigatória pelos danos ambientais e sociais causados pela exploração. O debate jurídico gira em torno da Lei 12.734 de 2012, que pretende redistribuir esses recursos entre estados que não produzem uma única gota de óleo, ignorando o pacto federativo e as regras básicas de justiça fiscal estabelecidas pelo constituinte original.
O procurador Gustavo Binenbojm alertou os ministros que uma eventual derrota do Rio de Janeiro significaria um rombo imediato de 23 bilhões de reais nas contas públicas estaduais e municipais. Para o cidadão comum, esse valor astronômico representa a diferença entre ter ou não hospitais equipados, policiais nas ruas e escolas funcionando. A defesa técnica explicou que o Rio já sofre um prejuízo silencioso, pois as empresas do setor utilizam créditos de imposto que impedem o estado de arrecadar o ICMS de forma plena. Assim, os royalties são a única forma de compensar o desgaste da infraestrutura e os riscos inquantificáveis de desastres ambientais que a população fluminense suporta sozinha.
Juridicamente, a tese do estado é sólida e baseada no artigo 20 da Constituição. O procurador enfatizou que a lei de 2012 nasceu de um erro conceitual em um momento de euforia econômica. Ao tentar transformar compensação em receita geral, o Congresso Nacional feriu o equilíbrio entre as unidades da federação. Além disso, a defesa apontou que a norma em discussão utiliza critérios de distribuição que o próprio Supremo já considerou inconstitucionais em outros julgamentos, o que deveria levar à nulidade total do texto por arrastamento. A segurança jurídica do Brasil está em jogo, pois mudar as regras do jogo no meio da partida afasta investimentos e cria um ambiente de instabilidade para o setor produtivo.
Em tempos de interpretações variadas nas cortes superiores, o Rio de Janeiro exige que a letra fria da lei seja cumprida para evitar o colapso econômico. A exploração de petróleo gera riqueza para o país, mas o ônus da operação recai sobre o território fluminense. É dever do Estado proteger esses recursos que garantem o pagamento de aposentados e o funcionamento do serviço público. A sociedade aguarda que o Supremo Tribunal Federal mantenha a coerência com suas decisões anteriores e proteja o pacto federativo contra tentativas de confisco disfarçadas de redistribuição. O futuro do Rio de Janeiro depende desse veredito histórico que define se a Constituição ainda é o porto seguro de todos os brasileiros.