Um estudo internacional publicado em revista científica de referência analisou a presença da bactéria Fusobacterium em tecidos de mulheres com endometriose e encontrou associação relevante com a doença. Os pesquisadores identificaram a bactéria em parcela significativa dos casos e observaram diferença expressiva em relação a pacientes sem diagnóstico da condição. O levantamento aponta presença de até 64% em mulheres com endometriose e menos de 10% em mulheres sem a doença.
Segundo os autores, a bactéria pode atuar no ambiente inflamatório do endométrio, contribuindo para alterações celulares associadas ao desenvolvimento da doença. O estudo também avaliou resposta em modelos animais, onde antibióticos reduziram lesões e inflamação após a eliminação da bactéria.
Especialistas destacam que o rastreamento e a investigação precoce seguem como fatores importantes para ampliar o diagnóstico e orientar tratamentos mais eficazes. Os dados também reforçam que a bactéria Fusobacterium nucleatum é comum na cavidade oral, mas pode migrar para outras regiões do organismo por meio da corrente sanguínea.
Essa migração é associada a processos inflamatórios e pode estar presente em diferentes condições clínicas além da endometriose, conforme descrito no estudo. Os pesquisadores também investigaram a proteína TAGLN, relacionada à fibrose, e observaram aumento de sua expressão em tecidos com lesões mais avançadas.
A análise em laboratório demonstrou que antibióticos específicos reduziram marcadores inflamatórios e a progressão das lesões em modelos experimentais. Os autores destacam achados que ampliam entendimento sobre mecanismos da endometriose e investigação científica.