Categoria rejeitou reajuste salarial de 5% e decidiu negociar diretamente com cada empresa; paralisações pontuais não estão descartadas
Os rodoviários do município do Rio de Janeiro decidiram manter o estado de greve, mas não aprovaram o início imediato de uma nova paralisação geral. Com isso, os ônibus continuam circulando normalmente na cidade nesta sexta-feira, 24 de julho.
A decisão foi tomada durante assembleia realizada na tarde de quinta-feira, 23, na sede do Sindicato dos Rodoviários, em Rocha Miranda, na Zona Norte. Aproximadamente 250 trabalhadores participaram da reunião e rejeitaram por unanimidade a proposta apresentada pelo Rio Ônibus, entidade que representa as empresas do setor.
A oferta previa reajuste salarial de 5% e aumento de 6% no valor da cesta básica. Os percentuais já haviam sido apresentados durante as negociações realizadas no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e foram considerados insuficientes pela categoria.
Negociação será feita com cada empresa
A principal mudança aprovada pelos trabalhadores foi a adoção de negociações individuais. A partir de agora, o sindicato pretende conversar diretamente com cada empresa de ônibus, em vez de buscar somente um acordo geral por meio do Rio Ônibus.
Nas empresas em que houver entendimento, poderão ser assinados acordos coletivos específicos. Onde as negociações não avançarem, o sindicato admite realizar paralisações pontuais, limitadas a determinadas viações ou garagens.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a estratégia busca pressionar as empresas sem provocar, neste momento, a interrupção simultânea de todo o transporte municipal.
Para os passageiros, isso significa que não existe uma nova greve geral anunciada. No entanto, interrupções localizadas poderão afetar algumas linhas ou regiões caso as negociações individuais não cheguem a um acordo.
Ônibus continuam circulando
O estado de greve indica que a categoria permanece mobilizada e pode convocar novas medidas, mas não significa que o serviço esteja automaticamente paralisado.
Até a publicação desta matéria, não havia confirmação de empresa com as atividades suspensas nem indicação de data para uma nova greve geral. Passageiros devem acompanhar os canais oficiais e as informações sobre as linhas utilizadas diariamente.
A assembleia ocorreu depois que os rodoviários analisaram a proposta apresentada na última audiência de conciliação. O FLUMINENSE já havia informado que a categoria decidiria na quinta-feira se retomaria a greve ou manteria apenas o estado de mobilização.
Sindicato pretende recorrer à Justiça
Os trabalhadores também aprovaram o ingresso de ações na Justiça do Trabalho relacionadas ao chamado “tempo de placa”.
De acordo com o sindicato, motoristas permanecem cerca de 30 minutos à disposição das empresas nos pontos finais, inclusive realizando embarques, embora o período seja considerado intervalo para alimentação e descanso. A entidade pretende pedir que esse tempo seja contabilizado e remunerado.
A reivindicação representa a posição dos trabalhadores e ainda dependerá da análise da Justiça do Trabalho. O processo de dissídio coletivo entre rodoviários e empresas também continuará tramitando no TRT da 1ª Região.