Levantamento aponta 860 mil medidores de pressão, inaladores e nebulizadores irregulares vendidos pela internet no primeiro semestre de 2026
O comércio de equipamentos médicos ilegais pela internet superou o de produtos regulares no Brasil no primeiro semestre de 2026. Levantamento divulgado nesta semana aponta a venda de 860 mil unidades irregulares de medidores de pressão, inaladores e nebulizadores, diante de 639 mil equipamentos regularizados.
Os dados, divulgados pela Folha de S.Paulo, seriam apresentados nesta quarta-feira (12) durante evento que reúne Inmetro, Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo, Anvisa e entidades ligadas ao setor para discutir fraudes, pirataria e comércio irregular em plataformas digitais.
O problema vai além da concorrência com o mercado formal. Equipamentos usados para acompanhar a saúde dentro de casa podem produzir informações incorretas e levar o consumidor a tomar decisões inadequadas.
Medidores de pressão concentram irregularidades
Entre os medidores de pressão, foram comercializadas 506 mil unidades irregulares no primeiro semestre, contra 446 mil regularizadas. Os aparelhos fora das regras representaram 53% do total pesquisado.
No caso de inaladores e nebulizadores, a participação dos produtos sem regulamentação chegou a 65%, com 353 mil unidades vendidas pela internet.
Um medidor de pressão que apresente valores incorretos pode levar o usuário a acreditar que está hipertenso quando não está ou, no sentido contrário, transmitir falsa sensação de normalidade diante de uma pressão elevada.
O próprio Inmetro orienta o consumidor a não comprar medidor de pressão sanguínea que não tenha aprovação do Instituto.
Antes de chegar ao mercado, instrumentos de medição regulamentados precisam passar pelo chamado controle metrológico legal. Segundo o Inmetro, esse processo busca verificar se o equipamento atende aos requisitos técnicos aplicáveis antes de ser comercializado.
Anvisa apreendeu 1.677 medidores
O avanço das vendas digitais já provocou ações de fiscalização. Em março, a Anvisa realizou uma operação no principal centro logístico do Mercado Livre, em Cajamar, na Grande São Paulo.
A fiscalização identificou produtos de saúde sem regularização sanitária, itens com rotulagem em idioma estrangeiro e equipamentos sem certificação exigida.
Somente de medidores de pressão foram apreendidas 1.677 unidades, segundo a Anvisa. Também foram encontrados termômetros, oxímetros e outros produtos com irregularidades.
As mercadorias apreendidas ficaram impedidas de ser movimentadas pela plataforma.
O que conferir antes de comprar
Para quem pretende adquirir um medidor de pressão, inalador ou nebulizador pela internet, preço não deve ser o único critério. O consumidor precisa observar quem fabrica o equipamento, identificar corretamente o modelo e desconfiar de anúncios que omitam informações básicas sobre procedência e regularização.
No caso dos medidores de pressão, a aprovação do Inmetro é um ponto essencial de conferência. Produtos para saúde também podem ter sua situação consultada nos sistemas públicos da Anvisa.
Ofertas com preço muito abaixo do praticado pelo mercado, vendedor sem identificação clara, embalagem apenas em língua estrangeira ou ausência de informações sobre fabricante e modelo devem elevar o nível de atenção.
Para quem depende de medições frequentes por causa de hipertensão ou outra condição de saúde, o risco é ainda maior. Um aparelho barato que mede errado pode sair caro justamente porque interfere em uma informação utilizada para acompanhar o tratamento.
A orientação é simples: antes de comprar, confirme a procedência. E, diante de dúvida sobre uma medição ou sobre o próprio tratamento, o resultado de um equipamento doméstico não deve substituir avaliação de profissional de saúde.