Danilo Jander Francisco Alves morreu após ser baleado na cabeça por um policial militar durante uma abordagem do programa Niterói Presente, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. A morte encefálica foi confirmada pelo Hospital Estadual Azevedo Lima, onde ele estava internado desde o último sábado (12). A família autorizou a doação de órgãos para transplante.
O caso ocorreu na Rua Mariz e Barros, na esquina com a Avenida Roberto Silveira, durante uma abordagem a um motociclista. Segundo a versão informada pela Polícia Militar ao UOL, agentes realizavam um cerco após uma ordem de parada não ter sido atendida. Durante a ação, um dos policiais efetuou o disparo que atingiu Danilo.
A versão apresentada pelos agentes é contestada por familiares e testemunhas. Relatos divulgados por veículos locais e imagens de câmera de segurança indicam que Danilo já havia parado a motocicleta no momento do disparo. Segundo o A Seguir Niterói, a gravação mostra o motociclista com uma das mãos levantadas instantes antes de ser atingido. A dinâmica completa da abordagem ainda é objeto de investigação.
O policial responsável pelo disparo foi preso e encaminhado a uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria da Polícia Militar instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência. Paralelamente, a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) conduz a investigação criminal.
Polícia Civil analisa imagens e depoimentos
A Polícia Civil já ouviu testemunhas e analisa imagens de câmeras de segurança da região. O objetivo é esclarecer a sequência dos fatos, a conduta dos agentes envolvidos e as circunstâncias em que o disparo foi efetuado.
As imagens passaram a ter papel central na apuração porque ajudam a confrontar as versões apresentadas sobre a abordagem. Enquanto a Polícia Militar informou inicialmente que houve uma tentativa de fuga seguida de um disparo descrito como acidental, familiares sustentam que Danilo já estava rendido quando foi atingido.
A investigação deverá considerar também depoimentos, perícias e demais elementos produzidos pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM. Até a conclusão dessas apurações, não há decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal pelo disparo.
Família autoriza doação de órgãos
Após a confirmação da morte encefálica, a família autorizou a doação de órgãos de Danilo. A decisão foi confirmada pela direção do Hospital Estadual Azevedo Lima e repercutida nesta quarta-feira (16). Em entrevista reproduzida pelo O Dia, parentes destacaram que o jovem já havia manifestado em vida o desejo de ajudar outras pessoas por meio da doação.
Danilo trabalhava na região de Icaraí e foi socorrido após o disparo, permanecendo internado em estado gravíssimo até a confirmação da morte encefálica. A ocorrência provocou manifestações de colegas e repercussão entre moradores de Niterói.
O caso permanece sob investigação e novas informações oficiais deverão ser incorporadas à apuração à medida que forem divulgadas pelas autoridades responsáveis.