A Prefeitura de Niterói colocou em operação a LUSIA, nova plataforma de licenciamento urbano e ambiental que utiliza recursos de inteligência artificial para organizar documentos, classificar requerimentos e apoiar etapas de análise.
O sistema foi desenvolvido pela Secretaria Municipal de Urbanismo e reúne atualmente mais de 30 serviços. Entre eles estão pedidos para novas construções, legalizações, modificações, acréscimos e alterações de responsabilidade técnica.
A ferramenta também integra etapas administrativas que antes passavam por diferentes sistemas, incluindo fiscalização, acompanhamento gerencial, emissão de taxas e comunicação entre órgãos municipais.
A promessa é reduzir burocracia.
Segundo a Prefeitura de Niterói, determinados processos simples poderão avançar de forma muito mais rápida. O município chegou a apresentar como perspectiva a possibilidade de licenciamento de uma residência urbana em 24 horas.
É justamente aí que começa a cobrança.
Uma plataforma tecnológica não pode ser considerada eficiente apenas porque automatiza tarefas. O ganho precisa aparecer em números: tempo médio antes e depois da implantação, quantidade de processos concluídos, percentual de exigências, volume de retrabalho, erros de classificação e decisões que precisaram ser revistas.
A inteligência artificial usada pelo sistema atua na classificação de requerimentos, reconhecimento de padrões, análise preditiva e apoio à tomada de decisão.
Isso também exige transparência sobre os limites da automação.
O cidadão precisa saber quais etapas são apenas auxiliadas pela tecnologia e quais dependem de decisão técnica de servidor responsável.
A LUSIA entrou em operação assistida e deverá permanecer em fase de implementação e aperfeiçoamento até fevereiro de 2027. Processos antigos continuarão seguindo o modelo anterior.
O período de transição oferece uma oportunidade concreta de comparação.
Se a plataforma promete reduzir tempo e burocracia, a Prefeitura pode publicar mensalmente o prazo médio dos principais serviços e o estoque de processos pendentes.
Tecnologia melhora gestão quando o resultado pode ser medido. Sem indicadores, agilidade continua sendo apenas promessa.