O avanço de pesquisas realizadas por instituições brasileiras e internacionais voltou a chamar atenção para a relação entre a dengue e complicações neurológicas raras, como a Síndrome de Guillain-Barré, segundo estudo conduzido pela Fiocruz Bahia em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e publicado em revista científica internacional.
O levantamento indica que infectados pelo vírus da dengue podem ter risco significativamente maior de desenvolver a síndrome nas semanas seguintes à infecção, com aumento mais expressivo nos primeiros 14 dias após os sintomas iniciais. De acordo com os pesquisadores, embora o número absoluto de casos seja considerado baixo, o impacto em períodos de epidemia pode ser relevante para o sistema de saúde pública, especialmente diante do aumento recente de registros de dengue no país.
O estudo analisou bases de dados do Sistema Único de Saúde, incluindo internações, notificações e registros de mortalidade, identificando milhares de hospitalizações associadas à Síndrome de Guillain-Barré no período mais recente avaliado.
Os autores destacam que a identificação precoce dos sintomas, como fraqueza muscular e formigamento, é essencial para o início rápido do tratamento, que pode reduzir complicações e melhorar o prognóstico dos pacientes. Especialistas também reforçam que medidas de prevenção contra a dengue, como combate ao mosquito Aedes aegypti e ampliação da vacinação, continuam sendo fundamentais para reduzir novos casos e, consequentemente, complicações neurológicas associadas à doença.