Coreia do Sul mira pouso na Lua em 2030 e acelera corrida tecnológica

Imagem: Imagem ilustrativa produzida para O Fluminense Legenda: Coreia do Sul pretende antecipar seu avanço na exploração lunar e desenvolver tecnologias próprias para pouso na Lua, comunicações espaciais e computação quântica.

Estratégia tecnológica reúne exploração espacial, energia nuclear, computação quântica, biotecnologia e minerais críticos em uma ofensiva para ampliar a competitividade do país.

A Coreia do Sul quer realizar um pouso na Lua em 2030 como parte de uma estratégia mais ampla para ampliar sua presença entre as principais potências tecnológicas do mundo. O governo sul-coreano apresentou nesta quarta-feira, 12, um conjunto de projetos que abrange exploração espacial, energia nuclear, computação quântica, biotecnologia e cadeias de suprimento de minerais considerados estratégicos.

Batizado de Seven Major SEED, o plano foi discutido em reunião presidida por Lee Jae Myung e procura criar novos motores de crescimento para uma economia que já ocupa posição de destaque em semicondutores, eletrônicos e indústria avançada. A estratégia divulgada pelo governo e detalhada pela Reuters estabelece metas para diferentes setores até a próxima década.

Lua entra no centro da estratégia

A exploração espacial é uma das frentes mais ambiciosas. O governo pretende manter para 2030 o lançamento de um pequeno módulo lunar, além de avançar em uma missão posterior prevista para 2032.

O planejamento oficial do Ministério da Ciência e TIC da Coreia do Sul também prevê o lançamento de um satélite de comunicações lunares em 2029 e a construção de uma rede própria de comunicações por satélites de baixa órbita até 2035.

A iniciativa representa uma aceleração da trajetória espacial sul-coreana. O país já opera o Danuri, seu primeiro orbitador lunar, lançado em agosto de 2022. A missão permitiu testar tecnologias de navegação, comunicação e observação da superfície da Lua.

Segundo o Korea Aerospace Research Institute, o Danuri foi inserido com sucesso na órbita lunar em dezembro de 2022. A duração da missão foi posteriormente ampliada até 2027, após avaliação das condições do equipamento e do combustível disponível.

O conhecimento obtido com o orbitador é considerado uma das bases para as próximas etapas do programa espacial.

Computação quântica também ganha prazo

A Lua, porém, representa apenas uma parte do pacote.

Na área de computação quântica, a Coreia do Sul pretende desenvolver até 2029 um processador nacional de 100 qubits com correção de erros. A meta faz parte de uma estratégia para aumentar a autonomia tecnológica do país e criar capacidade doméstica em um setor disputado por Estados Unidos, China, União Europeia e outras economias avançadas.

O governo também pretende fortalecer a produção de chips quânticos e criar ambientes de pesquisa capazes de transformar avanços científicos em aplicações industriais.

A estratégia sul-coreana revela uma mudança importante de abordagem: o objetivo não é apenas financiar laboratórios, mas reduzir o tempo entre pesquisa, protótipo e produto comercial.

Energia nuclear e fusão entram no pacote

Outra frente importante é a energia.

A Coreia do Sul pretende avançar no desenvolvimento de pequenos reatores modulares, os SMRs, considerados uma alternativa para ampliar a geração nuclear com instalações menores e potencialmente mais flexíveis que as usinas convencionais.

O planejamento prevê a conclusão de um primeiro SMR comercial até 2035 e também contempla tecnologias nucleares de nova geração.

Na fusão nuclear, a ambição é ainda maior. O país trabalha com a possibilidade de produzir eletricidade a partir da fusão no fim da década de 2030.

Energia solar de alta eficiência, geração eólica offshore, produção de hidrogênio e sistemas de redes elétricas apoiados por inteligência artificial também aparecem entre as prioridades.

Biotecnologia e cérebro conectado a computadores

A estratégia avança igualmente sobre a área de saúde e biotecnologia.

O país pretende criar infraestrutura integrada entre inteligência artificial e pesquisas biológicas até 2030. Entre os objetivos estão acelerar a descoberta de medicamentos, desenvolver laboratórios automatizados e ampliar estudos relacionados a terapias celulares e genéticas.

Outra aposta são as interfaces cérebro-computador, sistemas capazes de transformar sinais cerebrais em comandos para equipamentos eletrônicos.

O governo pretende demonstrar até 2030 uma aplicação dessa tecnologia voltada para pessoas com paralisia grave, reunindo universidades, hospitais, empresas e centros de pesquisa.

Minerais críticos viram questão estratégica

O pacote tecnológico também olha para uma vulnerabilidade que preocupa diversas economias: a dependência de minerais e materiais essenciais para baterias, semicondutores, sistemas de energia e equipamentos eletrônicos.

A Coreia do Sul pretende ampliar o processamento e a reciclagem desses materiais dentro do próprio país, diversificar fornecedores externos e aumentar estoques considerados estratégicos.

A medida procura reduzir riscos provocados por disputas comerciais, crises internacionais ou concentração da produção mundial em poucos países.

O governo prevê mobilizar 10 trilhões de won, aproximadamente US$ 7,1 bilhões, até 2030 para tecnologias relacionadas a materiais, componentes e equipamentos estratégicos.

Disputa vai além da Lua

A corrida espacial chama atenção, mas o plano sul-coreano tem dimensão econômica muito maior.

Ao reunir Lua, computação quântica, energia nuclear, biotecnologia e materiais críticos em uma mesma estratégia, Seul tenta proteger sua indústria de uma transformação tecnológica que pode alterar cadeias produtivas inteiras nas próximas décadas.

Para um país que construiu boa parte de sua força econômica sobre eletrônicos, automóveis, navios e semicondutores, o desafio agora é conquistar espaço nas tecnologias que ainda estão em formação.

O pouso lunar previsto para 2030 funciona, nesse contexto, como uma das imagens mais visíveis de uma política que pretende levar a Coreia do Sul para além dos setores em que o país já é competitivo.

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