Na Escola Municipal Bataillard, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, a geometria ganhou novos passos dentro da sala de aula. Em vez de aparecer apenas no quadro ou no caderno, conceitos matemáticos são trabalhados com dança, movimentos do corpo e atividades digitais.
A iniciativa da professora Márcia Viana, batizada de “Matemática e movimento corporal”, transforma ações simples em exemplos de geometria: um passo para o lado pode representar uma translação; uma meia-volta corresponde a uma rotação de 180 graus; e movimentos diante de um espelho ajudam a compreender a reflexão.
Os estudantes criam coreografias e observam apresentações de dança e vídeos para identificar rotações, translações, reflexões e simetrias. O objetivo é aproximar os conteúdos de experiências concretas, permitindo que a turma reconheça conceitos geométricos fora dos livros.
“A proposta é fazer com que o estudante perceba que a matemática não está apenas no papel. Ela está no espaço, no movimento e em situações que fazem parte da nossa vida. Quando ele consegue enxergar uma rotação no próprio corpo ou uma translação em um passo, o conceito deixa de ser apenas uma definição e passa a fazer sentido”, explica Márcia Viana.
Atividades permitem diferentes formas de participação
A professora percebeu que alguns alunos tinham vergonha de dançar, especialmente após o período da pandemia. Para que todos pudessem participar sem exposição corporal obrigatória, organizou estações de trabalho com funções de pesquisa, elaboração de roteiros, produção e edição de vídeos.
Assim, os estudantes passaram a contribuir de acordo com seus interesses e habilidades, mantendo a participação nas atividades mesmo quando não queriam se apresentar diante da turma.
Simulador digital e computação
Em 2026, o projeto ampliou o uso de tecnologia, incorporando atividades relacionadas à BNCC Computação, complemento à Base Nacional Comum Curricular homologado em 2022.
Além de pesquisar, escrever roteiros e editar vídeos, os alunos começaram a desenvolver um simulador digital de dança inspirado em jogos como Just Dance. Em algumas atividades, atuam também como monitores e explicam quais transformações geométricas estão presentes nos movimentos.
Projeto recebeu reconhecimento
A iniciativa foi contemplada pelo Edital de Matemática nos Anos Finais do Ensino Fundamental, promovido pelo Itaú Social em parceria com a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, experiências como a de Petrópolis mostram o papel dos professores na busca de novas linguagens de ensino. “Os professores têm uma capacidade muito grande de encontrar novas linguagens para ensinar e de transformar aquilo que parece abstrato em algo que os estudantes conseguem experimentar, compreender e criar. Quando o aluno participa desse processo, ele desenvolve confiança para fazer perguntas, testar possibilidades e perceber que também é capaz de produzir conhecimento. Este projeto é um exemplo de como a matemática está em toda parte”, afirma.
Nota sobre a imagem: ilustração recriada por inteligência artificial a partir de fotografia fornecida à redação. Não constitui reprodução documental exata da cena original.