Estabelecimentos não tinham cadastro no órgão e armazenavam componentes ligados a veículos roubados e furtados
Dois ferros-velhos que funcionavam sem cadastro foram interditados e lacrados pelo Detran-RJ em São Gonçalo. A operação foi realizada na terça-feira, 21, por agentes da Diretoria de Desmontagem, com apoio da Polícia Civil, após o setor de inteligência do departamento receber denúncias sobre os estabelecimentos.
Durante a fiscalização, as equipes encontraram peças vinculadas a um Volkswagen Virtus roubado no próprio município e a um Chevrolet Meriva furtado em Duque de Caxias. Os dois locais pertenciam ao mesmo comerciante, que foi conduzido à 72ª DP, no Mutuá, onde prestou depoimento. Os estabelecimentos permaneceram fechados depois da ação.
A interdição integra o trabalho de combate ao desmonte clandestino e à comercialização de peças automotivas sem origem comprovada. O objetivo é atingir a cadeia econômica que ajuda a sustentar roubos e furtos de veículos, impedindo que componentes retirados ilegalmente voltem ao mercado.
Comércio de peças exige rastreamento
A atividade de desmontagem, recuperação e venda de peças usadas precisa seguir as regras estabelecidas pelo Detran-RJ. As empresas devem estar credenciadas, manter documentação regular e registrar a movimentação dos veículos e componentes comercializados.
Segundo o departamento, o estabelecimento credenciado recebe um certificado que deve ficar exposto em local visível. A empresa também precisa utilizar o Sistema Web Desmonte.RJ, emitir notas fiscais e identificar as peças sujeitas à rastreabilidade. Esses registros permitem consultar o veículo de origem e dificultam a entrada de material roubado no comércio regular.
Consumidor deve conferir procedência
Antes de comprar uma peça usada, o consumidor deve exigir nota fiscal, verificar a identificação do estabelecimento e desconfiar de preços muito inferiores aos normalmente praticados. A ausência de documentação pode indicar que o componente não possui procedência comprovada.
O próprio Detran disponibiliza uma consulta pública de empresas credenciadas, permitindo verificar se o comércio está autorizado a atuar. Também é possível utilizar o sistema de consulta de etiquetas de peças, que reúne informações cadastradas pelos estabelecimentos regulares.
Além do risco de adquirir material ligado a crimes, a compra sem nota fiscal pode deixar o consumidor sem garantia, sem comprovação da origem e com dificuldade para reclamar posteriormente. A compatibilidade da peça com o veículo também deve ser confirmada antes da instalação.
Denúncias sobre locais suspeitos devem ser encaminhadas pelos canais oficiais, sem confronto com comerciantes ou tentativa de entrar nos imóveis. Endereço, horários de funcionamento e outras informações objetivas podem ajudar o trabalho de fiscalização.