Moeda americana atinge menor patamar desde março de 2024; otimismo com diplomacia entre potências e commodities impulsionam ativos brasileiros.
O mercado financeiro brasileiro vive uma jornada de otimismo acentuado nesta sexta-feira (10). O dólar intensificou sua trajetória de queda, operando na casa dos R$ 5,01, enquanto o Ibovespa segue renovando máximas históricas e já testa o patamar psicológico dos 200 mil pontos. O movimento reflete o alívio global com os sinais de progresso diplomático no Oriente Médio e a forte entrada de capital estrangeiro no país.
Câmbio e Cenário Externo
O dólar à vista opera em queda superior a 1%, sendo negociado próximo a R$ 5,012. Ontem (9), a moeda já havia fechado em R$ 5,06, o menor valor em dois anos. A desvalorização atual é sustentada por três fatores principais:
- Diplomacia: Expectativas em torno de uma reunião em Islamabad (Paquistão) entre representantes dos EUA e do Irã para consolidar uma trégua na região.
- Juros e Commodities: A manutenção de juros elevados no Brasil (Selic em 14,75%) e o superávit comercial impulsionado pelas exportações de commodities tornam o Real um destino atrativo para investidores.
- Fraqueza do Dólar: Globalmente, a divisa estadunidense perde força à medida que o apetite por risco aumenta.
No acumulado de 2026, o dólar já registra uma queda superior a 8% frente à moeda brasileira.
Bolsa em Patamar Histórico
O Ibovespa, principal índice da B3, subia 1,14% por volta das 11h20, atingindo os 197.351 pontos. Na véspera, o índice já havia feito história ao fechar pela primeira vez acima dos 195 mil pontos.
- Oitava alta consecutiva: A bolsa brasileira se consolida como a de melhor desempenho global no ano, com alta acumulada de 31% em dólares.
- Motores da alta: O fluxo estrangeiro, que somou mais de US$ 29 bilhões em 12 meses, e a valorização de ações de peso, como grandes bancos e petroleiras, sustentam o rali.
Alerta na Inflação e Juros
Apesar da festa nos mercados, o cenário doméstico apresenta desafios. O IPCA de março, divulgado hoje pelo IBGE, veio acima das expectativas, com alta de 0,88%. O resultado foi pressionado principalmente pelo grupo de combustíveis (+4,59%).
“A aceleração da inflação e os preços do petróleo ainda elevados podem levar o Banco Central a ser mais cauteloso, com uma possível redução menor na taxa Selic na próxima reunião do Copom, projetada em 0,25 ponto percentual”, apontam analistas do setor.